Existem filmes que funcionam quase como uma carta de amor para quem ama histórias de época comoventes e sensíveis. É exatamente esse o caso de 'Amor e Inocência', agora disponível na Netflix, que foi um dos filmes mais elogiados do século 21 até então e tem Anne Hathaway no elenco.
Quem se apaixonou pela adaptação de 'Orgulho e Preconceito' sabe que o filme de Joe Wright, lançado em 2007, entrega um drama elegante e envolvente, daqueles que valem a sessão, mesmo agora no streaming. Porém, vale ressaltar que a proposta o longa não é adaptar um livro famoso, mas imaginar a juventude de Jane Austen e os sentimentos que podem ter despertado sua vocação literária.
Inspirado em registros históricos limitados sobre um possível romance vivido pela autora, o filme constrói uma narrativa romântica que se refere diretamente aos temas que ela eternizou em seus livros: amor, escolhas difíceis e a pressão social sobre as mulheres. A direção é de Julian Jarrold, que conduz a história com delicadeza.
Na pele da protagonista Jane está Anne Hathaway, na época com pouco mais de 20 anos, interpretando uma jovem inquieta, criativa e pouco disposta a seguir a vida tradicional reservada às filhas de vigários rurais. Enquanto a família dorme, ela escreve, toca piano e sonha com uma jornada que vai além do casamento por conveniência.
Esse conflito fica evidente quando surge um pretendente 'adequado', prontamente rejeitado por Jane, que diz a frase: "A fortuna dele não me compra". A resposta da mãe, porém, resume bem o espírito e a ganância da época: "Afeto é desejável, mas dinheiro é absolutamente indispensável".
O jogo muda quando Tom Lefroy entra em cena. Vivido por James McAvoy, o jovem advogado irlandês chega com charme, ironia e pouquíssimo dinheiro. Em meio à provocações, trocas e encontros em bailes, a relação dos dois cresce de forma intensa, ainda que marcada por dúvidas e limites sociais. Lefroy desafia Jane a enxergar o mundo além de seu vilarejo, sugere leituras, questiona seus planos e acaba se tornando mais do que uma simples paixão passageira.
É no trecho final que 'Amor e Inocência' emociona de vez o público. Ambientado anos depois, o epílogo vai além do romantismo juvenil que marca o romance e aposta em um tom mais maduro e melancólico, conectando perdas pessoais ao nascimento da escritora que o mundo aprenderia a admirar.
Visualmente impecável, o filme se tornou um clássico por sua sensibilidade, boas atuações e a curiosidade irresistível de imaginar como nasceu a voz de Jane Austen. Com menos de 2 horas, é uma ótima pedida na Netflix.