Na noite de domingo (18), uma cena lastimável e perturbadora marcou o “Big Brother Brasil 26”. Pedro Henrique, até então um dos principais adversários de Ana Paula Renault no jogo, deixou o confinamento após assediar Jordana.
Segundo o relato da sister (corroborado pelas imagens exibidas ao público), o participante segurou seu pescoço e tentou beijá-la contra sua vontade, cruzando uma linha que jamais deveria ser ultrapassada, dentro ou fora de um reality show...
Pouco depois, Tadeu Schmidt entrou ao vivo para se pronunciar sobre o caso, prestar solidariedade à vítima e esclarecer que a atitude de Pedro era inaceitável. A condução do apresentador, no entanto, foi alvo de críticas nas redes sociais, especialmente pelo tom considerado excessivamente protocolar diante da gravidade do episódio. Ainda assim, Tadeu foi enfático ao afirmar que, mesmo sem o aperto do botão de desistência, Pedro seria expulso do programa!
O episódio, porém, expôs uma ferida antiga do “Big Brother Brasil”. Nas redes sociais, rapidamente ganhou força um movimento cobrando da Globo uma reavaliação urgente de seus processos seletivos. Como é que participantes com histórico de comportamentos problemáticos ou incapacidade de respeitar limites básicos seguem sendo colocados em um ambiente de extrema exposição, álcool e convivência intensa?
A cobrança passa, sobretudo, por uma análise mais rigorosa do psicológico e do passado dos brothers e sisters. E o incômodo faz sentido. O caso envolvendo Pedro Henrique está longe de ser isolado! Abaixo, relembre episódios de assédio que aconteceram dentro da casa mais vigiada do país e entenda os questionamentos coerentes de internautas:
Em 2023, o programa viveu um de seus episódios mais graves quando MC Guimê e Antônio “Cara de Sapato” foram expulsos após atitudes de importunação sexual contra Dania Mendez, participante mexicana que integrava um intercâmbio entre realities. Guimê apalpou o corpo da convidada sem consentimento, enquanto Cara de Sapato tentou beijá-la à força e chegou a imobilizá-la.
A expulsão dupla foi anunciada ao vivo e virou um marco da política de “tolerância zero” prometida pela emissora - promessa que, à luz dos fatos, parece ter ficado mais no discurso do que na prática...
No “BBB 20”, o debate sobre assédio também tomou conta da casa. Petrix Barbosa foi acusado de tocar nos seios de Bianca Andrade durante uma festa, enquanto ela estava alcoolizada. Embora não tenha sido expulso, o ginasta acabou eliminado e posteriormente intimado pela Polícia Civil.
Na mesma edição, Pyong Lee foi acusado de tentar beijar Marcela McGowan contra sua vontade e de apalpar Flayslane. Nenhum dos dois foi retirado do jogo à época, decisão que hoje é amplamente questionada.
Voltando ainda mais no tempo, o “BBB 12” protagonizou talvez o caso mais chocante da história do programa. Daniel Echaniz foi expulso após imagens mostrarem um comportamento inadequado com Monique Amin, que estava desacordada após uma festa.
O episódio gerou investigação policial e um debate nacional sobre violência sexual, mesmo que o caso tenha sido arquivado posteriormente por falta de provas conclusivas.
Outras edições também escancararam a fragilidade dos filtros do programa. No “BBB 17”, Marcos Harter foi expulso após comportamentos agressivos e abusivos contra Emilly Araújo, em um caso que envolveu inclusive a Delegacia de Atendimento à Mulher.
Já no “BBB 16”, Ana Paula Renault denunciou atitudes e falas de Laércio Moura que levantaram discussões sérias sobre assédio e comportamento inadequado fora da casa. Vale destacar que, atualmente, ele está condenado por estupro de vulnerável.
No X, antigo Twitter, muitos se revoltaram com mais um episódio de violência contra a mulher no programa. A deputada Érika Hilton fez um longo desabafo, também cobrando uma postura mais firme da Globo. "Pela quadragésima vez, um participante do BBB se mostrou um completo nojento, dentro e fora da casa, com denúncias e relatos que vão de assédio durante o programa até um possível caso de pedof*lia fora dele", iniciou ela.
"Com toda a pesquisa prévia da Rede Globo sobre os futuros participantes do 'BBB', é sério que, todo ano, eles são incapazes de detectar participantes com comportamentos nocivos, especialmente contra as mulheres ou até crianças?", indagou a política. "É sério que, de Laércio a Pedro, nunca percebem nada? Nunca suspeitam de nada? Nunca refletem, por um instante, sobre quem estão presenteando com um possível estrelato nacional?", acrescentou.
"Não podemos acusar, mas é muito difícil acreditar que a equipe não faz de propósito", reagiu um usuário nas respostas. "Juro, não dá pra entender como a Globo não sabia do histórico desse cara aqui fora, se havia até denúncia formal contra ele no Conselho Tutelar. O mínimo, durante a escolha do elenco é fazer de tudo para garantir a segurança dos participantes", escreveu outra pessoa.
O padrão que se repete ao longo dos anos é inquietante. Apesar de mudanças pontuais e discursos mais duros, o “Big Brother Brasil” segue funcionando como um espelho incômodo da sociedade... só reage quando o dano já foi causado, quando a vítima já precisou se expor e quando o público já está indignado.
Diante de um histórico tão extenso, a pergunta que fica é: até quando a Globo vai tratar esses episódios como exceções, e não como sintomas de um problema estrutural? Reavaliar processos seletivos não é censura nem exagero, é responsabilidade. Em um programa que se propõe a ser entretenimento, mas alcança milhões de pessoas e influencia debates sociais, falhar repetidamente na prevenção de casos de assédio é, no mínimo, negligência.
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