Algumas pessoas podem acabar se sentindo mais sozinhas, dependendo das suas atitudes ou o comportamento em sociedade: as vezes, elas nem tem amigos, como acontece com a Arminda (Grazi Massafera), a terrível vilã da novela "Três Graças", da TV Globo.
É provável que você já tenha se deparado com esse estilo de personalidade mais introspectivo, seja no trabalho, seja na faculdade, ou até mesmo no seu círculo de amizades. A psicologia explica que, nem sempre, aquela pessoa solitária é, de fato, odiada por muitos, como a poderosa Odete Roiman, vivida por Déborah Bloch em "Vale Tudo".
Muitas vezes, são pessoas proativas, que gostam de ajudar os outros que estão tendo dias difíceis, ou sempre se voluntariando para projetos e iniciativas preocupadas com o bem comum. Também vale lembrar que, mesmo que tenham amigos, elas nem sempre estarão a todo instante perto deles.
Se pegar o ambiente de trabalho, de repente pode até se deparar com alguém mais isolado em um canto, chorando no banheiro, ou até mesmo no estacionamento, por exemplo. E quando chegamos até elas para questionar o que aconteceu, elas dizem que "ninguém nunca pergunta como estou. Eles simplesmente acham que estou bem", refletem.
Logo, se pensarmos sobre o assunto, vamos entender que o isolamento social não ocorre somente com as pessoas de personalidade mais difícil, mas sim com aqueles em que costumamos nos apoiar, e nunca pensamos em ser gentis, retribuindo a ajuda.
Entrando no universo das novelas, em 2017 a temporada de "Malhação - Viva a Diferença", mostrou a personagem de Benê (Daphne Bozaski), com algumas dificuldades de relacionamento em alguns momentos da trama. Ao longo da narrativa, outros pontos foram explicados. De acordo com a psicóloga social e ph.D Natalie Kerr, da Universidade Pública James Madison:
"Estudos mostram que fazer atos bondosos podem te ajudar a se sentir mais feliz e menos solitário", afirmou a estudiosa. Porém, também existe uma espécie de ponta solta nesse pensamento. Quando os indivíduos costumam ser os ajudantes, muitos acabam se aproveitando, como se você fosse apenas um recurso.
As "pessoas esponja" tornam-se apenas um apoio emocional, aquele que vai atrás para resolver os problemas, mas que na verdade, ninguém se importa. Para exemplificar, podemos citar algumas situações difíceis que passamos ou que vemos amigos passarem na vida: a luta contra uma doença severa, como o câncer de mama.
As pessoas próximas, com grande inteligência emocional, geralmente vão apoiar, dar força, e se oferecem para ajudar. No entanto, quando o indivíduo que está passando por essa dificuldade chega em casa, sente-se sozinho, solitário, como se tudo verdadeiramente o esmagasse.
Já parou para refletir quando foi a última vez que entrou em contato para saber como estava aquele amigo ou amiga mais íntimo, de quem realmente você se preocupa? Aquela pessoa que geralmente parece ter tudo sob controle, tanto a vida amorosa, financeira, e também quem acaba dando os melhores conselhos.
Um estudo da magazine Psychology Today citou que as "pessoas sozinhas ou solitárias percebem sinais alarmantes de rejeição de forma mais rápida do que outras, talvez por quererem evitá-la, no intuito de se proteger".
Dessa forma, as pessoas que costumam ser prestativas ou boas o tempo todo, também chamadas de autossuficientes, tem dificuldade em pedir ajuda, pois isso pode acabar parecendo algum sinal de fracasso. Em contrapartida, quem está de fora acaba não percebendo.
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A solidão vai além de uma questão emocional. A revista também cita que é "um fator de risco para doenças cardíacas, diabetes tipo 2, além de artrite e outros problemas", ressalta a pesquisa. Pessoas prestativas, sejam amigos, vizinhos ou colegas de trabalho, muitas vezes adoecem e nem percebemos.
Esse grupo acaba "morrendo por dentro", um pouquinho por vez, sem que a maioria perceba, ou dê o reconhecimento que eles realmente merecem. É profundo, mas a mais pura verdade. O professor Robert L. Leahy, da Weill-Cornell Medical School, cita uma informação importante sobre o fenômeno da solidão.
Para ele, ela te relembra de valorizar as conexões humanas: "Ela pode te lembrar do quanto você valoriza a conexão com outras pessoas, e que isso é muito importante para o real significado de ser humano".
Diante dessa reflexão, quem está sempre aberto a ofertar ajuda geralmente coloca os outros sempre acima de si mesmo, esquecendo das suas dores, medos e anseios perante à sociedade. É necessário entender que pedir ajuda faz parte da vida, e não significa um sinal de fraqueza.
Pesquisas e reflexões diante do círculo de amigos em que vivemos pode te fazer pensar que, pessoas com maior grau de inteligência emocional, que normalmente se desculpam muito, geralmente são as que mais têm dificuldades em lidar com as próprias emoções.
Normalmente, esse grupo consegue perceber quando algo não vai bem, além de ofertar ajuda ao outro... Mas, quando é sobre si mesmo, aí a coisa muda, e elas se perdem, literalmente.
A psicóloga Elaine Aron explica: "Pessoas altamente sensíveis ofertam compaixão e empatia, dedicando o seu tempo e energia aos outros sem reclamar, ou esperar algo em troca". Se fizermos uma inversão de papéis, nem sempre o que você dá, realmente será aquilo que recebe: tanto para a compaixão, como a empatia.
- Como identificar a solidão:
A solidão oculta nem sempre é tão fácil de ser identificada. No entanto, vale ficar de olho à sua volta, se identificar alguns desses sinais no seu grupo de pessoas íntimas: se alguém estiver sempre disponível quando precisa, mas não costuma compartilhar tanto suas dificuldades, fique alerta.
Outro ponto diz respeito à ficarem lembrando muito da sua vida, mas quando o assunto pega a vida deles como foco, eles desviam. Com relação ao comportamento, podem ser líderes, organizadores, ou estarem em funções que realmente fazem as coisas irem acontecendo. Também não gostam muito de elogios ou presentes, além de delegar atividades.
Percebeu algo muito parecido por aí? É provável que tenha lembrado de alguém em particular, não acha? Ou até mesmo, quem sabe não é você mesmo?
O pesquisador e psicólogo Arsh Emamzadeh cita que a solidão "não está associada tanto aos problemas físicos, quanto a problemas de saúde mental". Para ele, as pessoas muito prestativas estão sofrendo de algo que pode trazer consequências severas a longo prazo.
- Lembre de se conectar com o outro:
Da próxima vez que você lembrar de alguém que parece ser autossuficiente, pense em mandar uma mensagem no WhatsApp perguntando como ela está, e tente iniciar uma conversa sincera.
Normalmente elas estão desejando essa conexão, mas não tem coragem de falar. Acabaram se tornando muito boas em esconder isso.