Begoña G. Larrauri, psicóloga: 'Se aos 50 anos você achava que era tarde, aos 60 dirá que estava no auge; e aos 70, verá os 60 como uma oportunidade maravilhosa'
Publicado em 9 de junho de 2026 às 11:02
A psicóloga defende que se deve abordar os problemas na sua origem, e não apenas para amenizar os sintomas
Begoña G. Larrauri, psicóloga: 'Se aos 50 anos você achava que era tarde, aos 60 dirá que estava no auge; e aos 70, verá os 60 como uma oportunidade maravilhosa' A menopausa pode aumentar o estresse? Psicóloga explica como a forma de encarar essa fase influencia diretamente o bem-estar emocional Ondas de calor, insônia e cansaço podem piorar com o estresse crônico durante a menopausa, alertam especialistas A corrida pode dar mais disposição após os 50 anos Pequenas mudanças na rotina podem reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida durante a menopausa

Há fases da vida que chegam repletas de perguntas, porque ninguém traz um manual debaixo do braço para lidar com as diferentes etapas da vida e com os problemas que surgem em cada uma delas. 

A menopausa é uma dessas fases que sabemos que vai chegar, mas não sabemos ao certo como enfrentá-la, tanto pelas mudanças físicas que ela traz consigo quanto por tudo o que ela provoca no plano emocional

Para muitas mulheres, a perimenopausa e a menopausa coincidem com um momento de reflexão pessoal, com a sensação de que o tempo passa mais rápido e com a dúvida, às vezes paralisante, de se ainda estão a tempo de mudar as coisas. 

Em entrevista concedida ao La Vanguardia, a psicóloga Begoña G. Larrauri explica as chaves para enfrentar essa etapa crucial na vida de qualquer mulher. Temas que ela aborda em seu último livro.

Veja também
A partir dos 60 anos: estudo revela que apenas 12 semanas de Pilates devolvem a força muscular e blindam o corpo contra a sarcopenia
Menopausa e estresse: a forma como se interpreta faz toda a diferença

O fato de muitas mulheres perceberem, durante a menopausa, que lidam pior com o estresse e a ansiedade, ou que reagem com mais intensidade a situações cotidianas, tem uma explicação. Mas não é tão simples quanto atribuir tudo apenas às mudanças hormonais. 

Segundo Larrauri, a chave está em como se vive essa fase, conforme explica no La Vanguardia: “Se for percebida como um obstáculo, uma ameaça ou uma fase opressiva devido aos sintomas e às mudanças que acarreta, é mais fácil que gere mal-estar e uma sensação de sobrecarga. 

Por outro lado, se for entendida como um processo natural, uma mudança biológica normal e até mesmo uma oportunidade para repensar prioridades e cuidar mais de si, a experiência pode ser muito diferente”.

Não se trata de um otimismo simplista, mas de algo mais concreto: “A diferença está em como interpretamos essa situação: se a sentimos como algo que nos ultrapassa e nos coloca em perigo, o estresse aumenta; se a vivemos como um desafio superável ou até mesmo como uma fase de transformação, a resposta emocional muda completamente”.

O que o corpo sinaliza quando o cortisol permanece elevado por muito tempo

Os sinais físicos do estresse crônico são mais fáceis de reconhecer do que parece, embora tenhamos a tendência de tratá-los isoladamente, sem nos perguntarmos o que está por trás disso. 

Na entrevista, a psicóloga destaca que “um dos sinais mais frequentes são a tensão muscular e as contraturas. Basta observar como está a maioria das pessoas: as costas, os ombros, as vértebras cervicais e as lombares costumam ser os principais focos de tensão acumulada”.

E acrescenta algo que é especialmente importante: “Muitas vezes, em vez de nos perguntarmos qual é a raiz do problema, recorremos diretamente ao fisioterapeuta, ao analgésico ou ao ansiolítico, sem pararmos para pensar o que está realmente causando esse mal-estar”.

A isso somam-se os problemas digestivos, que também têm relação direta com o estresse prolongado: “Hoje sabemos perfeitamente que os níveis elevados e prolongados de cortisol afetam diretamente a microbiota intestinal e alteram todo esse equilíbrio interno”. Por isso, a especialista explica que não basta apenas aliviar o sintoma, mas também é preciso ir à raiz das situações. 

O estresse crônico agrava os sintomas da menopausa

A relação entre estresse e menopausa não é apenas paralela, é direta. Na entrevista, Larrauri destaca que o estresse “é um fator que intensifica tudo. Se uma mulher vive em estado de alerta, no piloto automático o dia inteiro, sem parar nunca e presa nessa síndrome da vida agitada que parece que todos nós levamos hoje em dia, é lógico que os sintomas se agravem. As ondas de calor, o cansaço, a insônia ou a confusão mental tornam-se muito mais intensos”.

E, nesse contexto, a insônia e o sono emergem como um elemento fundamental que costumamos subestimar. “Se você não compreende a real importância de algo, dificilmente vai priorizá-lo. E com o sono acontece exatamente isso”, reconhece a psicóloga. 

Parar, ouvir a si mesma e fazer pequenos ajustes

A menopausa também costuma ser um momento de balanço pessoal e, quando bem gerida, pode ser uma fonte de alívio em vez de estresse adicional. “Ter clareza sobre as prioridades e os propósitos diminui muito o estresse”, aponta Larrauri. E, nesse sentido, é preciso parar e ouvir a si mesma, perguntando-nos se estamos fazendo coisas que nos fazem felizes no dia a dia.

Além disso, durante a entrevista, ela explica que não são necessárias grandes mudanças para notar a diferença: “Nem sempre são necessárias grandes revoluções; às vezes, bastam pequenas mudanças que devolvem sentido, calma e bem-estar”.

'Nunca é tarde demais': plasticidade cerebral e preconceito contra a idade

Talvez a mensagem mais impactante da entrevista seja aquela dirigida àqueles que sentem que já deixaram passar tempo demais. Larrauri desmonta essa crença com base no que se sabe hoje sobre o cérebro: "Antes, acreditávamos que os neurônios simplesmente se desgastavam, que se esgotavam e que, a partir de certo momento, não havia mais possibilidade de mudança. Mas hoje sabemos que não é assim. 

Sabemos que a mudança é possível praticamente até o fim da vida, que o cérebro é extremamente plástico, moldável, que cria novos circuitos e que continua aprendendo constantemente".

O preconceito contra a idade, observa ele, nem sempre vem de fora: “Esse medo da idade, esse preconceito que muitas vezes impomos a nós mesmos, é profundamente prejudicial”. E conclui com algo que é fundamental para enfrentar esta fase da vida: “Se aos 50 anos você achava que era tarde, quando tiver 60 dirá que estava no auge. E quando tiver 70, verá os 60 como uma oportunidade maravilhosa que talvez tenha deixado passar por medo. 

Por isso, não se trata da idade que você tem, mas de tudo o que ainda está a tempo de viver”.

Matérias relacionadas
Vanessa Andrade, instrutora de Pilates: 'Esta sequência de quatro exercícios na cadeira é simples e ideal para fortalecer as pernas de pessoas com mais de 60 anos'
Vanessa Andrade, instrutora de Pilates: 'Esta sequência de quatro exercícios na cadeira é simples e ideal para fortalecer as pernas de pessoas com mais de 60 anos'
Susana Marín, maquiadora: 'Se você tem mais de 50 anos, é preciso levar em conta que usar uma cor escura na pálpebra móvel e uma clara na pálpebra fixa faz com que seus olhos pareçam menores e envelhece o seu olhar'
Susana Marín, maquiadora: 'Se você tem mais de 50 anos, é preciso levar em conta que usar uma cor escura na pálpebra móvel e uma clara na pálpebra fixa faz com que seus olhos pareçam menores e envelhece o seu olhar'
Como correr aos 50 anos? Especialistas revelam que alternar corrida leve com trote por 30 minutos já é suficiente
Como correr aos 50 anos? Especialistas revelam que alternar corrida leve com trote por 30 minutos já é suficiente
Por Clara Espíndola | Colaboradora | TV, beleza e famosos
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
Palavras-chave
Bem-estar Saúde Beleza madura Curiosidades
Sobre o mesmo tema
Um dos casais mais emblemáticos dos anos 1990 virou série: nasci nos anos 2000 e estou viciado na história de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette; 5 motivos para você ver! player2
Um dos casais mais emblemáticos dos anos 1990 virou série: nasci nos anos 2000 e estou viciado na história de John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette; 5 motivos para você ver!
20 de fevereiro de 2026
Cristina Ponce, instrutora de Pilates: 'Se você tem mais de 60 anos e receio de praticar esportes sem apoio, estes três exercícios são ideais para você'
Cristina Ponce, instrutora de Pilates: 'Se você tem mais de 60 anos e receio de praticar esportes sem apoio, estes três exercícios são ideais para você'
9 de fevereiro de 2026
Notícias similares
O que é a perimenopausa? 6 sintomas que costumam passar despercebidos pelas mulheres nesta fase, como a atriz Juliana Paes, segundo ginecologista player2
O que é a perimenopausa? 6 sintomas que costumam passar despercebidos pelas mulheres nesta fase, como a atriz Juliana Paes, segundo ginecologista
16 de abril de 2026
Como correr aos 50 anos? Especialistas revelam que alternar corrida leve com trote por 30 minutos já é suficiente
Como correr aos 50 anos? Especialistas revelam que alternar corrida leve com trote por 30 minutos já é suficiente
1 de junho de 2026
As instrutoras de Pilates concordam: 'A partir dos 60 anos, o melhor exercício para fortalecer o core, incluindo as costas e os abdominais, é a prancha'
As instrutoras de Pilates concordam: 'A partir dos 60 anos, o melhor exercício para fortalecer o core, incluindo as costas e os abdominais, é a prancha'
11 de maio de 2026
Últimas Notícias
Últimas Notícias