A menopausa deixou de ser um assunto silencioso e passou a ganhar espaço nas conversas, inclusive entre celebridades. Nomes como Angélica, Claudia Raia, Fernanda Lima, Mônica Martelli, Eliana, Adriane Galisteu e Flávia Alessandra têm ajudado a quebrar o tabu ao compartilhar suas vivências com calorões, insônia e oscilações de humor. Mas um fator tem chamado a atenção: o impacto do álcool nessa fase da vida.
Segundo a ginecologista Dra. Patricia Magier, formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), o organismo feminino passa por mudanças importantes durante a menopausa, especialmente com a queda do estrogênio.
"Esse novo cenário hormonal altera o funcionamento do organismo e torna a mulher mais sensível aos efeitos do álcool, que pode intensificar sintomas comuns do climatério", explica a médica.
A nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia, reforça que o álcool interfere diretamente nos hormônios.
"O álcool afeta o eixo hipotálamo hipófise gonadal e pode exacerbar sintomas da menopausa ao interferir no metabolismo do estrogênio", afirma.
Entre os efeitos mais comuns relatados por especialistas estão a piora dos fogachos, noites mal dormidas e alterações de humor. A endocrinologista Dra. Deborah Beranger alerta que o fígado, já sobrecarregado nessa fase, sofre ainda mais.
"O álcool é priorizado como substrato energético pelo fígado, dificultando o emagrecimento e favorecendo o acúmulo de gordura visceral", explica.
Além disso, o impacto não para por aí. O consumo pode afetar o cérebro, prejudicando memória e sono, o sistema cardiovascular, aumentando o risco de hipertensão, e até os ossos, que já estão mais frágeis com a queda hormonal.
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A médica Dra. Lilian Brasileiro chama atenção para a estética, algo que preocupa muitas mulheres.
"O álcool promove glicação, um processo que danifica colágeno e elastina, deixando a pele mais rígida e envelhecida", explica.
Ela ainda destaca a desidratação intensa e o aumento da oleosidade de má qualidade.
Apesar da dúvida comum, a resposta não é animadora.
"Não existe uma quantidade totalmente isenta de impacto", afirma Dra. Patricia Magier.
O consumo ocasional e moderado pode ser melhor tolerado, mas deve ser avaliado individualmente. A ideia de que o vinho tinto poderia trazer benefícios também é questionada.
"Nenhum tipo de bebida alcoólica é isento de risco", reforça Dra. Marcella Garcez.
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De acordo com o ginecologista Dr. Nélio Veiga Junior, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP), o cuidado deve ser completo.
"É fundamental investir em atividade física, alimentação equilibrada, controle do estresse e evitar álcool e tabaco", orienta.
Ele também destaca que a terapia de reposição hormonal pode ajudar, quando indicada, melhorando sintomas como fogachos e qualidade do sono.
Na prática clínica, o resultado é claro.
"Muitas mulheres relatam melhora expressiva dos sintomas ao reduzir ou suspender o álcool", afirma Dra. Patricia Magier.
Para especialistas, o mais importante é entender os limites do próprio corpo.
"Devemos sempre conversar sobre limiar, sobre limites, para decisões mais saudáveis nesse período", finaliza Dra. Deborah Beranger.
Para quem atravessa essa fase, a mensagem é direta: pequenas mudanças podem trazer grandes alívios. E, em muitos casos, dizer "não" ao álcool pode ser um dos primeiros passos para recuperar o bem-estar.