O ex-jogador Robinho, conhecido por sua passagem pela Seleção Brasileira, Santos e Real Madrid, deixou nos últimos dias a Penitenciária de Tremembé, famosa por abrigar presos de grande repercussão, e cenário central de uma série do Prime Video que trouxe nomes como Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga de volta para os holofotes.
Desde abril de 2024 cumprindo pena pelo crime de estupro coletivo, o qual foi condenado a 9 anos de prisão em todas as instâncias na Itália, o ex-atleta foi transferido para uma unidade em Limeira (SP), inaugurada em 2001 e considerada mais organizada e tranquila do que o presídio anterior. A mudança, porém, trouxe uma rotina completamente diferente daquela vivida em Tremembé.
A penitenciária de Limeira abriga 119 detentos no regime fechado, ainda que sua capacidade seja para 104. No semiaberto, são 139 presos, número também um pouco acima do previsto, que é de 125 no total.
Mesmo assim, especialistas afirmam que a unidade costuma funcionar de forma mais organizada, especialmente por receber majoritariamente réus primários, pessoas com penas mais leves e que não possuem ligação com facções. Segundo uma análise feita ao g1 por um especialista em sistema prisional, unidades desse porte costumam ser mais tranquilas.
De acordo com uma vistoria realizada pelo Núcleo Especializado de Situação Carcerária em 2022, a unidade é formada por três alas, cada uma com seis celas. As alas A e C abrigam detentos idosos, enquanto a de inclusão, destinada aos recém-chegados, possui quatro camas, ventilador, banheiro próprio e recebe presos em período de observação.
Nas demais celas, o cenário é bem diferente: os presidiários usam sanitários coletivos e não possuem setor disciplinar. Ainda assim, a penitenciária tem uma estrutura considerada completa: enfermaria com dois leitos, atendimento médico e odontológico semanal, quadra de esportes, biblioteca com mais de 6,5 mil livros (que registra cerca de 280 empréstimos por mês) e até um “espaço kids”, usado principalmente em dias de visita.
Fora das celas, um dos pontos mais chamativos da unidade é sua horta comunitária, que ocupa cerca de 6,5 mil metros quadrados. Ali, os detentos cultivam uma verdadeira variedade de alimentos, incluindo maracujá, couve, abacaxi, quiabo, pepino, hortelã, mandioca, abóbora, batata-doce, abacate, frutas cítricas, manga e até uva.
Após a transferência, Robinho está passando por um período de adaptação. Recém-chegados permanecem cerca de 14 dias em observação antes de seguirem para o pavilhão definitivo. Por lá, a rotina diária segue um ritmo rígido e cronometrado:
- Café da manhã: entre 6h e 7h
- Almoço: das 10h30 às 11h30
- Jantar: das 16h30 às 17h30
O cardápio é simples, mas variado: arroz, feijão, carnes, macarrão, legumes e sucos. Além disso, a dieta na cadeia conta também com sobremesas clássicas de presídio, como goiabada e gelatina.
Além da alimentação, a rotina inclui dois dois períodos de banho de sol, cada um com duas horas, jornadas de trabalho entre 7h e 16h, aulas noturnas, que ocorrem das 15h50 às 22h e treino e lazer aos fins de semana, onde podem jogar futebol e dama, além de ter telão com filmes e cultos religiosos.
As visitas acontecem aos sábados e domingos, das 9h às 15h, incluindo visitas íntimas. A tranca acontece pontualmente às 22h. Para complementar a rotina, a unidade oferece cursos de qualificação profissional de instituições como Senai, Senac e Sebrae.