Um jantar tradicional da elite política e midiática dos Estados Unidos terminou em tensão máxima na noite deste sábado (25). O presidente Donald Trump foi retirado às pressas do evento anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, realizado em um hotel em Washington D.C., após disparos serem ouvidos nas proximidades do salão principal.
A cerimônia reunia mais de 2 mil convidados, entre jornalistas, autoridades e integrantes do alto escalão do governo. Entre os presentes estavam o vice-presidente J.D. Vance, a primeira-dama Melania Trump e o secretário de Estado Marco Rubio - todos retirados em segurança após o início do incidente.
Segundo informações do g1, o tumulto começou por volta das 20h35 (horário local), quando um barulho alto interrompeu o jantar. Em segundos, convidados se jogaram no chão ou buscaram abrigo sob as mesas, enquanto agentes do Serviço Secreto entravam armados no salão.
Relatos de jornalistas que estavam no local ajudam a dimensionar o clima de pânico. A correspondente Raquel Krähenbühl afirmou que o esquema de segurança parecia mais frágil do que o esperado para um evento desse porte. Já Deni Navarro, chefe do escritório da TV Globo em Nova York, descreveu a cena como uma “correria generalizada”, com gritos para que todos se abaixassem.
Inicialmente, Trump teria indicado que o evento poderia continuar, mas a decisão foi rapidamente vetada pelo Serviço Secreto, que optou pela evacuação completa.
O homem detido foi identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia, segundo a imprensa norte-americana. De acordo com a CBS News, parceira da BBC nos Estados Unidos, ele afirmou às autoridades que tinha como alvo integrantes do governo ligados a Trump.
Ainda segundo a emissora, entre cinco e oito disparos foram feitos durante a ação.
Informações reunidas por veículos como o CNN traçam um perfil detalhado do suspeito. Allen teria formação acadêmica sólida: graduado em engenharia mecânica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em 2017 e com mestrado em ciência da computação pela Universidade Estadual da Califórnia, Dominguez Hills.
Profissionalmente, ele atuava como tutor e professor em tempo parcial na empresa C2 Education - onde chegou a ser reconhecido como “professor do mês” - e também se apresentava como desenvolvedor de videogames independentes. Um perfil atribuído a ele indica ainda a criação de um jogo chamado “Bohrdom”, disponível na plataforma Steam.
De acordo com a polícia de Washington, o suspeito tentou invadir o salão onde o evento acontecia portando uma espingarda, uma pistola e facas. Ele foi contido por agentes de segurança antes de conseguir acesso direto ao presidente.
Durante a abordagem, houve troca de tiros. Um agente do Serviço Secreto foi atingido, mas não sofreu ferimentos graves graças ao uso de colete à prova de balas.
Em coletiva posterior, Trump comentou o episódio e classificou o suspeito como um “lobo solitário” e uma pessoa “doente”. "Fomos muito bem cuidados, fomos retirados rapidamente", afirmou o presidente em comunicado, acrescentando que o agente ferido “está muito bem”.
A avaliação de que o ataque foi conduzido por um único indivíduo também foi confirmada pelas autoridades locais.
O caso agora está sob investigação federal. O diretor do FBI, Kash Patel, afirmou que o histórico de Allen será analisado detalhadamente para entender motivações e eventuais conexões.
Já Todd Blanche, procurador-geral adjunto interino dos Estados Unidos, indicou que o suspeito deve responder por múltiplas acusações, incluindo uso de arma de fogo durante crime violento e agressão a agentes federais.
Segundo a CBS News, Allen está hospitalizado após o incidente e deve ser formalmente acusado nos próximos dias. Apesar do susto, nenhuma autoridade ficou ferida, e o evento deverá ser remarcado, segundo a organização.
Horas depois do atentado, o economista e ex-BBB Gil do Vigor usou suas redes sociais para fazer uma reflexão sobre episódios de violência por divergências políticas.
"Foi uma agonia [os tiros no jantar de Trump]! Um clima de desespero. [...] É muito triste falar sobre isso porque tem se tornado cada vez mais frequente episódios de violência por conta de divergências políticas acontecendo no mundo. Não só nos Estados Unidos, acontece no Brasil! A violência nunca vai ser uma alternativa. A violência não pode se tornar alternativa!", analisou.