Nem sempre acontece, mas muitas vezes aquele perfume que a gente ama pode causar desconforto em quem está por perto, especialmente em um momento em que o mercado aposta em fragrâncias cada vez mais intensas.
E existe uma explicação bastante lógica para o fato de certos aromas provocarem não só incômodo, mas também uma dor de cabeça daquelas, o que levanta alertas importantes sobre uso, conservação e até armazenamento na geladeira.
Desde o primeiro contato com o cheiro, mesmo quando quem usa acha maravilhoso, os compostos voláteis liberados pelo perfume começam a interagir com o sistema respiratório e nervoso. Muitas fragrâncias contêm substâncias que evaporam facilmente no ar, os chamados compostos orgânicos voláteis (VOCs), responsáveis por levar o aroma até o nariz.
O problema é que esses mesmos compostos podem irritar as mucosas nasais, ativar o nervo trigêmeo, que transmite sensações do nariz para o cérebro, ou causar inflamação nas vias respiratórias. Para pessoas mais sensíveis a cheiros, isso pode virar congestão, pressão nos seios da face, tontura ou dor de cabeça.
Além da irritação física, existe outro fator importante: a sobrecarga sensorial. Cheiros muito intensos podem ser estímulo demais para o cérebro de algumas pessoas, especialmente quando a fragrância é complexa, com muitas notas, florais, amadeiradas, âmbar e afins.
Essa mistura de moléculas pode literalmente “embolar” os sentidos e desencadear sintomas parecidos com os de uma enxaqueca.
Em alguns casos, o problema nem chega a ser uma alergia clássica, mas uma sensibilidade química. O que para uns é cheiro de elegância, para outros soa agressivo. Essa hipersensibilidade aos aromas, conhecida como osmofobia, é bastante comum em quem sofre de enxaquecas ou dores de cabeça frequentes.
Para essas pessoas, um perfume forte, fumaça, aromatizador de ambiente ou até o cheiro de produtos de limpeza podem funcionar como gatilho.
No fim das contas, seu perfume favorito pode ser perfeito para você, mas não necessariamente para quem divide o espaço. E não é frescura nem questão de gosto: é biologia. Mesmo com cheiro de limpeza e sofisticação, a química do ar somada à sensibilidade de cada nariz pode transformar um aroma agradável em um verdadeiro incômodo.