Um dos mais consagrados autores de novelas do Brasil, Gilberto Braga (1945-2021) completaria 81 anos neste domingo (1º). Responsável por "Dancin' Days" (1978-1979), "Vale Tudo" (1988-1989) e "Celebridade" (2003-2004), entre outras, faleceu aos 75 anos vítima de um quadro de infecção generalizada.
Pai de personagens como Júlia Matos, Odete Roitman e Laura Prudente da Costa, trinca das novelas citadas, Gilberto era carioca e chegou a dar aulas de francês antes de ingressar no jornal "O Globo" como crítico de cinema e teatro. Profissional que cursou Letras na PUC-RJ, o autor escreveu sua primeira novela em 1974, "Corrida do Ouro".
Dois anos antes, havia feito sua estreia como autor no "Caso Especial" "A Dama das Camélias", estrelado por Gloria Menezes, atriz morta neste ano. E para homenagear Gilberto Braga, o Purepeople revirou o baú de histórias da TV para te lembrar histórias e curiosidades de um dos mestres da teledramaturgia.
Confira a seguir!
Ao ser assaltado pouco depois de deixar o aeroporto de Congonhas (São Paulo), o autor perdeu um relógio Cartier de R$ 14 mil em julho de 2004. Chamou atenção fala de um dos criminosos na hora do furto: "Queremos o Cartier de ouro".
Parceiro de trabalho de Manoel Carlos (1933-2026) em "Água Viva" (1980), Gilberto alfinetou o colega ao lançar "Paraíso Tropical": "Queria lembrar que, infelizmente, alguns (atores) que estão aqui são participações especiais, para não pensarem que estamos batendo o recorde de 'Páginas da Vida' em número de atores. O Fábio (Assunção) estava com medo de não sobrar (espaço) para ele", alfinetou.
Na época, artistas do elenco de "Páginas..." se mostraram insatisfeitos com aparições reduzidas de seus personagens.
Coube a Gilberto, ao lado de Leonor Bassères, escrever por sete dias "De Corpo e Alma" (1992-1993) após o assassinato de Daniela Perez (1970-1992), filha de Gloria Perez, autora da trama.
Em 1994, ao comentar a baixa aceitação da primeira semana de "O Dono do Mundo" (1991-1992), afirmou: "Tomei uma cacetada muito grande. E eu considero a melhor coisa que escrevi na vida. É muito cruel, é um erro numa novela das oito". Vale lembrar que a trama sofreu na audiência com a milionária "Carrossel" exibida pelo SBT.
O autor não perdoou as próprias novelas que havia escrito até então: sobre "Dona Xepa" (1977) classificou de "muita tosca". "Escrevi de braço quebrado, ditando os capítulos para uma secretária, um horror... É boa até o capítulo 40 mais ou menos. Depois, vira uma bagunça".
Em relação a "Dancin Day's': "É boa até o capítulo 60. Depois disso, uma enrolação só. Com exceção do Alberico (Mário Lago, 1911-2002), mudaria todos os tipos masculinos. Naquela época, só sabia escrever para mulheres".
Quando lembrou de "Corpo a Corpo" (1984-1985) admitiu: "Mexeria um pouco no romance da Zezé Polessa com o Marcos Paulo (1951-2012) porque o público rejeitava. Recebia cenas pedindo que evitasse cenas de beijo na boca. O telespectador é muito racista".
No final de 2003, enquanto "Celebridade" estava no ar, Gilberto lembrou que chegou a ser fumante compulsivo, largando o vício em abril de 2000. Por outro lado, afirmou que antes dos 30 anos já fazia uso de remédio forte para dormir. "Durante a novela, aumento a dose".