Um ano após o episódio que ficou conhecido como “surubão do Arpoador”, um dos cartões-postais da Zona Sul do Rio de Janeiro, a Pedra do Arpoador volta ao centro do debate. O flagrante de 15 homens fazendo sexo coletivo em plena luz do dia, durante o réveillon de 2025, viralizou nas redes sociais e ganhou investigação policial. Passados doze meses, o cenário revela permanências, reforços na fiscalização e um personagem inesperado que conquistou a internet.
De acordo com o jornalista Ullisses Campbell, autor do livro que serviu como “guia” da série de sucesso do ano, “Tremembé”, e colunista de O Globo, apesar da repercussão nacional, a área segue sendo usada como ponto de encontros sexuais. Hoje, a dinâmica é diferente. Os encontros acontecem principalmente no início da noite, quando escurece. Homens se concentram entre as pedras e em áreas de vegetação com pouca visibilidade. A movimentação cresce ao longo das horas e costuma avançar pela madrugada.
Ao amanhecer, segundo o colunista, o cenário costuma revelar vestígios da madrugada, como preservativos usados, embalagens rasgadas e recipientes associados ao consumo de drogas entre as rochas. Nesta época do ano, a maior parte do público é formada por turistas.
A fiscalização envolve a Guarda Municipal e a Polícia Militar do Rio de Janeiro. Procuradas pelol O Globo as instituições se manifestaram por nota. A Guarda Municipal informou que sexo grupal ao ar livre em locais proibidos configura crime de ato obsceno e que atua em parceria com as polícias Militar e Civil, podendo intervir em flagrantes.
Já a Secretaria de Estado de Polícia Militar afirmou que o ordenamento do espaço público é atribuição da Secretaria Municipal de Ordem Pública, mas destacou que, diante de flagrantes, os envolvidos são abordados e conduzidos à Polícia Civil. A PM também informou reforço do policiamento na orla dentro da Operação Verão, com aumento do efetivo e das ações ostensivas.
Outro capítulo inesperado da história é a popularidade do investigador Sandro Caldeira, da 14ª DP do Leblon. Com cerca de 500 mil seguidores, ele já chamava atenção ao compartilhar conteúdos de cursos para advogados e concurseiros na área criminal. Ao ser designado para investigar o “surubão do Arpoador”, sua fama ultrapassou o nicho jurídico. Bastou uma foto circular nas notícias para o policial virar meme e ganhar o apelido de “Delegato”.
Internautas lotaram as redes com comentários bem-humorados e declarações exageradas. Entre as frases que circularam no X, antigo Twitter, estavam comentários como “Misericórdia, que homem!” e “A fic tá pronta, o delegado que vai investigar uma suruba no Arpoador e uma das testemunhas se apaixona por ele”.
player2