Zeca Pagodinho é uma das figuras mais queridas do meio artístico e suas entrevistas carregadas de bom humor sempre viralizam na internet - a exemplo de uma conversa do artista com Pedro Bial, onde ele confessa que não é adepto de exercícios físicos. O cantor rejeita até mesmo uma simples caminhada.
“Se andar fosse bom, o carteiro não morreria. O sol nasceu para todos, mas a sombra não é para qualquer um e o ar-condicionado também”, brincou Zeca. Quando sai da boca do sambista, parece bastante engraçado, mas trata-se de um comportamento que não deve ser glamourizado, tampouco copiado.
Um homem sedentário aos 67 anos corre risco de desenvolver um problema chamado sarcopenia, que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), atinge cerca de 17% dos idosos brasileiros, por volta de 5 milhões de pessoas.
A sarcopenia é uma doença que causa a acelerada perda de massa e força muscular com redução do desempenho físico nos indivíduos. Além de impactar na autonomia e na qualidade de vida, também pode reduzir a expectativa de sobrevida da população idosa.
A Dra. Marcela Reges, nutróloga da Afya Educação Médica Goiânia, destaca que a sarcopenia é, sim, um cenário que pode ser prevenido e tratado. “O envelhecimento traz mudanças fisiológicas naturais, mas perder massa muscular em excesso não é normal e não é inevitável”, alerta.
Entre os principais sintomas, estão instabilidade de marcha, fraqueza, lentidão para caminhar, dificuldade para subir escadas, levantar-se de uma cadeira ou carregar objetos. “Os sintomas aumentam o risco de queda, além de limitar o convívio social”, enfatiza a Dra. Karoline Fioreti, geriatra da Afya Educação Médica Vitória.
Alimentação adequada, prática de exercícios e acompanhamento médico regular são alguns dos hábitos que previnem contra a sarcopenia e ajudam a manter a força e a vitalidade. É essencial manter consultas regulares com um profissional, porque o diagnóstico precoce facilita na reversão da perda muscular.
“Se não houver diagnóstico e tratamento precoce, o idoso pode evoluir para perda progressiva de funcionalidade, maior dependência, isolamento social, depressão e até déficits cognitivos. Afinal, quando alguém perde a mobilidade, perde também a possibilidade de participar plenamente da vida em comunidade, o que impacta sua saúde mental. É um ciclo que precisa e pode ser interrompido com informação e políticas públicas”, completa Karoline.
- Ingestão proteico-calórica adequada: incluir proteínas em todas as refeições (carnes magras, ovos, peixes, frango, feijão, lentilha, grão-de-bico e laticínios);
- Treinos com pesos, elásticos ou o próprio peso corporal, sempre com orientação de um profissional;
- Caminhadas, hidroginástica, exercícios aeróbicos e musculação ajudam a manter massa muscular, protegem o coração e melhoram a qualidade de vida;
- Suplementação quando necessária: whey protein, creatina e aminoácidos essenciais podem ser indicados em casos de ingestão insuficiente;
- Vitaminas e minerais: garantir bons níveis de vitamina D, cálcio e antioxidantes;
- Sono de qualidade: fundamental para recuperação e manutenção da massa muscular;
- Tratar diabetes, hipertensão e doenças inflamatórias e crônicas, que aceleram a perda muscular;
- Beber bastante água;
- Prevenção de quedas: adaptar o ambiente, usar calçados adequados e incluir treinos de equilíbrio;
- Hábitos de vida saudáveis: evitar cigarro e álcool, que são fatores inflamatórios.