Há pessoas que, por mais cremes e séruns que experimentem, não conseguem encontrar aquele produto ideal para a sua pele. Vermelhidão, coceira e até espinhas podem surgir após o uso de um produto de cuidados com a pele.
Embora seja verdade que algumas pessoas têm a pele delicada ou sensível, outras estão com a pele sensibilizada — e é aí que está o motivo de nada funcionar para elas.
Uma pele sensível é de origem genética, enquanto uma pele sensibilizada é uma pele alterada. Por isso, é importante focar na reparação da pele, para que o manto hidrolipídico fique saudável e exerça sua função protetora.
A farmacêutica Gema Herrías, no podcast de Cristina Mitre, esclarece algumas dúvidas sobre a diferença entre pele seca e pele desidratada — já que não são a mesma coisa — e também sobre a importância dessa função de barreira.
A especialista explica que "uma pele desidratada apresenta, de forma transitória e reversível, uma alteração na função de barreira protetora, além de falta de luminosidade e falta de água". Gema afirma que essas peles apresentam linhas finas de desidratação visíveis, poros aparentes e alongados, e um toque áspero e rugoso. Mas, como ela bem destaca, trata-se de um estado passageiro.
"Por outro lado, a pele seca é um tipo de pele, e a pele seca sempre será seca", continua a farmacêutica. Isso acontece porque esse tipo de pele "possui uma quantidade menor de lipídios de sustentação, que funcionam como tijolinhos que conferem nutrição; sem eles, surge o ressecamento. Inclusive, a falta de lipídios também pode causar uma alteração na função de barreira, assim como ocorre nas peles desidratadas", explica Gema.
Não é a primeira nem a última vez que ouvimos falar sobre a importância do manto hidrolipídico. É preciso ter em mente que a pele possui uma proteção natural; se essa proteção estiver danificada, ela deixa de funcionar corretamente e é aí que os problemas começam.
"A função de barreira é o mais importante, porque você pode usar um cosmético supereficaz, mas, se a sua pele não estiver bem ou se a barreira estiver comprometida, tudo vai causar irritação e você não conseguirá reter a água na pele. O melhor hidratante do mundo pode não funcionar, pois, se você não for capaz de reter água, a pele nunca estará hidratada. A prioridade absoluta é eliminar a irritação — o que chamamos de reduzir o componente inflamatório — antes de recorrer a qualquer cosmético de alta potência, como o famoso retinol", esclarece Herrías.
Nesse estado inflamatório, a pele é incapaz de reter a umidade, tornando inútil o uso de cremes caros até que a barreira cutânea seja reparada e acalmada. "Além disso, uma barreira cutânea comprometida facilita a entrada de patógenos e alérgenos. Para saber se a pele está alterada, observe alguns sinais: ela não consegue reter a hidratação e, por isso, tudo irrita e nada hidrata. Porém, com o creme adequado, a pele recupera a função de barreira rapidamente em cerca de três dias", reforça a farmacêutica.