A poucos dias da 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, marcada para 7 de junho na Avenida Paulista, Gil do Vigor rasgou o verbo sobre o debate a respeito da presença de crianças e adolescentes no evento. No programa "Papo de Segunda", do GNT, o economista criticou o tratamento diferente dado a situações ligadas à comunidade em comparação com outras grandes manifestações populares e religiosas.
“Na Marcha para Jesus todo mundo pode ir. No Carnaval pode. Todo Mundo no Rio pode. Qualquer evento que tenha aglomeração pode. Mas a Parada do Orgulho vai ser um grande problema”, criticou ele.
Na sequência, o ex-BBB defendeu que a discussão sobre proteção da infância deveria estar centrada em outras urgências sociais!
“A gente tem que defender as crianças e os jovens, sim. Mas temos que defender do bullying. Temos que defender tantas notícias que saem quase mensalmente sobre jovens que são abusados dentro de instituições religiosas. Os jovens precisam de proteção, mas não é da Parada do Orgulho, não é da diversidade!”, disparou.
Embora Gil não tenha citado diretamente nenhum projeto de lei específico, a fala acontece em meio à tramitação do PL nº 50/2025, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil), aprovado em primeira votação pela Câmara Municipal de São Paulo.
O texto, segundo o g1, prevê que eventos com temática LGBTQIA+ sejam realizados apenas em espaços fechados e com controle de entrada, além de proibir a presença de crianças e adolescentes mesmo acompanhados pelos pais. A proposta também estabelece multas que podem chegar a R$ 1 milhão.
Especialistas em direito constitucional ouvidos pelo veículo classificaram a medida como inconstitucional e discriminatória. O projeto ainda precisa passar por uma segunda votação antes de seguir para eventual sanção do prefeito.
O presidente da APOLGBT-SP, Nelson Matias, reagiu duramente à proposta durante coletiva de imprensa realizada na última semana. “Vai ter criança, sim”, afirmou, ainda de acordo com o g1.
Para ele, a Parada nunca foi apenas entretenimento. “A Parada nunca foi construída como um grande evento. É um ato de resistência, espaço de defesa da democracia e dos direitos humanos”, declarou.
A edição de 2026 terá como tema “30 Anos de Parada SP - A rua convoca, a urna confirma”, reforçando o tom político do evento em um ano marcado por eleições e crescimento do discurso conservador. “Hoje, mais do que nunca, precisamos lembrar: não existe orgulho sem democracia. Se o golpe tivesse dado certo, a gente não estaria aqui”, disse Nelson.
Em 2026, o evento sofreu uma queda de cerca de 60% nas receitas privadas, segundo informações divulgadas pelo g1. O número de patrocinadores caiu drasticamente, afetando diretamente a estrutura da manifestação.
Marcas que estiveram historicamente associadas ao evento, como Vivo, Burger King, Smirnoff, Pinterest, Sephora e Terra, deixaram o circuito nos últimos anos. Entre as empresas confirmadas nesta edição estão Amstel, Grupo L’Oréal no Brasil, Philip Morris Brasil, Sympla, Accor e Zurich.
Nos bastidores, organizadores apontam que muitas empresas passaram a enxergar o apoio à diversidade como “risco reputacional” em meio ao avanço da agenda anti-woke internacional e ao crescimento de pressões conservadoras.
O presidente da APOLGBT-SP criticou o chamado “pinkwashing” - prática em que marcas utilizam símbolos LGBTQIA+ em campanhas publicitárias sem manter compromisso real com a comunidade. “O mercado aprendeu a monetizar o arco-íris sem investir proporcionalmente na comunidade LGBT”, afirmou Nelson.
A consequência prática já é visível: a Parada terá menos trios elétricos em 2026. Serão 14 veículos na Avenida Paulista - em 2025, foram 17. Segundo a organização, alguns artistas aceitaram participar recebendo apenas ajuda de custo ou abrindo mão do cachê tradicional para garantir o evento.
Entre os nomes confirmados estão Gloria Groove, Pepita, Melody, Diego Martins, Jup do Bairro, Katy da Voz e as Abusadas, Dornelles e Isma. Mesmo com a crise financeira, a expectativa é de cerca de 2 milhões de pessoas na Paulista.