A atriz Sheron Menezzes, de 42 anos, revelou que decidiu congelar óvulos após três anos tentando engravidar, em desabafo publicado nas redes sociais na segunda-feira (25).
"Me chamaram pra um trabalho que eu fiquei muito feliz e queria fazer, mas como abrir mão de um sonho, de uma vontade muito grande que eu tenho, que é ser mãe novamente? [...] Como dar essa pausa e não perder tempo? Porque a cada mês a gente perde uma oportunidade”, contou a artista, explicando a decisão.
O congelamento de óvulos é indicado para preservação da fertilidade em mulheres que desejam adiar a gestação. Com a idade, a fertilidade feminina diminui, chegando a uma drástica redução nas chances de gravidez após os 35 anos. Mas afinal: até quando é possível congelar óvulos? Existe um limite?
O Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, explica ao Purepeople que existe uma média de idade em que é recomendado congelar óvulo.
“Quanto mais jovem a mulher realizar o congelamento, maior será a chance de o óvulo gerar um bebê. O ideal é que seja realizado até os 35 anos, visto que, a partir dessa idade, há uma queda acentuada não apenas na quantidade de óvulos, mas também na qualidade", diz.
Porém, o especialista afirma que mulheres mais velhas também podem realizar o procedimento. "É possível congelar os óvulos até 41/42 anos. Após os 43, a probabilidade de o óvulo gerar um bebê é muito reduzida. Não é impossível, mas pode não valer a pena. Então, cada caso deve ser avaliado individualmente”, explica.
O especialista reforça que, ao considerar o congelamento de óvulos, a reserva ovariana e os objetivos da paciente são mais importantes do que a idade por si só.
Segundo o Dr. Rodrigo, o congelamento de óvulos consiste na criopreservação dessas células em nitrogênio líquido na temperatura de -196°C, mantendo o metabolismo completamente inativado, mas preservando o potencial de desenvolvimento e a viabilidade. Todo o ciclo de congelamento leva cerca de três semanas.
“Além de uma bateria de exames para verificar a qualidade dos óvulos, a mulher, inicialmente, deve fazer uso de pílulas anticoncepcionais por uma a duas semanas para desativar temporariamente os hormônios naturais. Mas, em casos de urgência, como antes da terapia contra o câncer, essa etapa pode ser ignorada. Em seguida, realizamos injeções de hormônios por cerca de 10 dias para estimular os ovários e amadurecer vários óvulos. É só após amadurecerem adequadamente que os óvulos são coletados, o que é realizado sob efeito de sedação por meio de uma pequena agulha que é inserida na vagina e é guiada por um transdutor até os ovários para que os óvulos sejam aspirados e congelados imediatamente,” esclarece o médico.
Nesse processo, alguns efeitos colaterais são esperados, apesar da segurança do procedimento.
“Devido ao uso dos hormônios necessários para estimulação ovariana, a mulher pode apresentar sintomas como dor de cabeça, instabilidade emocional, inchaço, náusea e dor muscular. Mas esses sintomas, que são muito similares aqueles da TPM, passam com o fim da estimulação hormonal e podem ser aliviados com o devido acompanhamento médico”, acrescenta o Dr. Rodrigo Rosa.
Uma vez congelados, os óvulos podem permanecer dessa maneira por um longo período de tempo sem qualquer tipo de prejuízo e, quando a mulher está pronta, é realizada uma Fertilização In Vitro.
“Na Fertilização in Vitro, o óvulo é fecundado com o espermatozoide em laboratório, formando o embrião que, após certo tempo de desenvolvimento, é transferido para o útero da mulher”, explica o médico. Vale ressaltar, no entanto, que o congelamento dos óvulos não é uma garantia definitiva de gestação no futuro, já que existem diversos fatores que podem interferir na viabilidade do óvulo durante todo o processo.
“Alguns óvulos podem não sobreviver ao degelo, enquanto outros podem não ser fertilizados com sucesso. A idade também é importante, visto que, apesar dos óvulos estarem congelados, a mulher continua a envelhecer e, consequentemente, terá que enfrentar as realidades da gravidez na idade que possui”, destaca o médico, que acrescenta que as taxas de sucesso da FIV são determinadas principalmente pela idade do óvulo utilizado.
"Mulheres com até 35 anos, se congelarem pelo menos 20 óvulos, têm chances de 80% de conceber pelo menos um filho. Se os mesmos 20 óvulos forem congelados entre os 35 e 37 anos, a chance de gravidez é de 65%. Já se o congelamento desses 20 óvulos for feito entre os 38 e 40 anos, a probabilidade de a mulher ter no mínimo um filho é de 55 a 60%”, explica.
O custo do congelamento de óvulos depende do protocolo de estimulação ovariana, da dose total dos hormônios utilizados, da quantidade de óvulos coletados, do procedimento de vitrificação e do tempo de armazenamento contratado.
“Os valores podem variar de clínica para clínica, mas é preciso colocar no planejamento os custos de todo o processo, incluindo as medicações, o procedimento em si, o armazenamento dos óvulos e, claro, a fertilização in vitro para quando a mulher estiver finalmente pronta para engravidar", detalha o médico.
De maneira geral, o planejamento é o fator mais importante para o procedimento, devendo incluir não apenas o custo, mas também a escolha de um médico experiente e especializado em reprodução humana, além da decisão de quantos filhos a paciente quer ter ao longo da vida.
“Com o devido planejamento e acompanhamento, o congelamento de óvulos torna-se uma ferramenta poderosa de ampliação de possibilidades de maternidade e garantia de liberdade de escolhas", afirma o especialista.
"Hoje, a mulher pode decidir quando quer engravidar, sem precisar escolher entre carreira ou família. Ela pode preservar a fertilidade enquanto constrói sua estabilidade profissional, financeira e afetiva e, mais tarde, quando se sentir pronta, utilizar esses óvulos para ter uma gravidez bem-sucedida”, finaliza o Dr. Rodrigo Rosa.