Para muita gente, a indicação a um Oscar pode significar a maior conquista de uma vida inteira. Wagner Moura, apesar de grato, vê a realização como importante, mas nem um pouco capaz de deslumbrá-lo. O astro de “O Agente Secreto” sabe muito bem como “desviar” da armadilha do ego e voltar à “vida real”.
Conhecidíssimo do público brasileiro desde os anos 90, colecionando filmes, séries e novelas de sucesso como “Paraíso Tropical”, “Carandiru”, “Tropa de Elite” e “Saneamento Básico – O Filme”, Moura construiu uma das carreiras mais sólidas e respeitadas da sua geração. O fenômeno “Tropa de Elite” o transformou em um rosto popular em todo o país, mas a virada internacional começou alguns anos depois.
À revista "Variety", ele destacou como se "aterra" diante de grandes feitos. “[Após a indicação] abracei minha esposa e meus filhos, e então a vida continuou. Isso me mantém no chão. [...] Este é um momento lindo, principalmente porque é um filme brasileiro que recebe essa atenção. Estou realmente feliz. Mas já estou por aí há tempo suficiente para entender que isso não é a vida real. Assim que a excitação passa, sou marido e pai novamente”, afirmou.
Wagner Moura é casado há mais de 20 anos com Sandra Delgado e pai de três meninos. Bem, o primeiro herdeiro do casal, nasceu em 2006, seguido por Salvador, em 2010. Dois anos mais tarde, em 2012, nasceu o caçula José.
Sua estreia em Hollywood veio com “Elysium” (2013), ao lado de Matt Damon e Jodie Foster. Já o divisor de águas global foi “Narcos” (2015–2016), da Netflix. Vivendo Pablo Escobar, Moura impressionou público e crítica, aprendeu espanhol para o papel e colocou de vez seu nome no radar da indústria norte-americana - desempenho que lhe rendeu, inclusive, indicação ao Globo de Ouro e abriu portas para produções fora do Brasil.
No bate-papo com a revista internacional, inclusive, o ex-Globo também celebrou o momento especial do cinema brasileiro no cenário internacional, lembrando como produções nacionais voltaram a ganhar espaço e prestígio lá fora.
Para ele, esse reconhecimento tem um peso simbólico enorme, principalmente depois de anos em que a classe artística foi alvo de ataques e desvalorização no país. “E o Brasil agora tem um governo que é favorável à cultura, aos filmes. Ver brasileiros se reunindo ao redor de filmes culturais, dizendo ‘esses artistas nos representam’, é lindo”, afirmou.
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