Agatha Moreira é uma atriz que já mostrou ter talento de sobra para personagens marcantes, mas, em 'Quem Ama Cuida', sua Ingrid ainda não conseguiu encontrar um caminho que faça jus ao potencial da intérprete de 34 anos.
Anna Luiza Santiago, do jornal "O Globo", deu nota zero para a história de Ingrid na novela de Walcyr Carrasco e Claudia Souto... e eu concordo.
A avaliação faz sentido. A filha de Pilar (Isabel Teixeira) continua sem um conflito próprio bem definido e parece circular pela trama sem provocar consequências importantes. Para piorar, agora ela está flertando com Heitor (Renato Góes). O relacionamento, por sua vez, não acrescenta nada.
Uma possibilidade seria aprofundar os motivos do comportamento mais desapegado quando o assunto é amor. Ingrid não costuma se prender aos homens, ao contrário da irmã, Brigitte (Tata Werneck), que vive cercada de interesses amorosos.
O contraste fica evidente quando lembramos de outros trabalhos da atriz. Em 'Orgulho e Paixão', 'Verdades Secretas' e 'Mania de Você', Agatha teve oportunidades de explorar personagens com mais camadas e presença na narrativa.
Mas é Josiane, de 'A Dona do Pedaço', que promete voltar à memória do público em breve. A novela de Walcyr Carrasco retorna à programação do "Vale a Pena Ver de Novo" em 23 de novembro, substituindo 'Avenida Brasil'.
Na trama, Agatha interpretou uma filha que Maria da Paz (Juliana Paes) jamais imaginaria ter: ambiciosa, manipuladora e capaz de trair a própria mãe. Josiane roubou dinheiro da boleira e ainda se envolveu com Régis (Reynaldo Gianecchini), marido de Maria da Paz.
A personagem protagonizou uma das trajetórias mais controversas da novela. No desfecho, após uma passagem pela prisão, Josiane se converte à religião evangélica, mas a mudança não apaga completamente sua personalidade sombria.
Ela mata Régis e termina a história com uma expressão que deixa no ar a possibilidade de que sua maldade não tenha desaparecido.
É justamente por conhecer a capacidade de Agatha de sustentar personagens intensas que Ingrid causa certa frustração. A questão não é dizer que a personagem seja chata ou desagradável.
Ela simplesmente ainda não recebeu material suficiente para conquistar um espaço próprio e mostrar a que veio.
A atriz, por sua vez, parece fazer o melhor possível com o que a história oferece. Uma personagem não precisa ser vilã, cruel ou cheia de reviravoltas para despertar interesse, mas precisa ter desejos, conflitos e atitudes que movimentem a narrativa.