Preta Gil, que morreu neste domingo (20) após luta contra um câncer no intestino, foi uma voz ativa no combate ao preconceito contra minorias. Prova disso foi sua postura combativa após ser ofendida por Jair Bolsonaro, na época, deputado federal pelo Rio de Janeiro.
Tudo aconteceu em março de 2011. Jair, que, atualmente, está de tornozeleira eletrônica, já era conhecido por destilar frases preconceituosas. Ele participava de um quadro de perguntas do extinto programa “CQC”. Preta foi uma personalidade a sabatinar o político: “Se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?”.
A resposta foi preconceituosa e gratuitamente agressiva: “Não vou discutir promiscuidade com quer que seja. Eu não corro esse risco. Os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu.”
Bolsonaro argumentou que havia entendido errado a pergunta. “A resposta dada deve-se ao errado entendimento da pergunta - percebida, equivocadamente, como questionamento a eventual namoro de meu filho com um gay”, justificou. Além do ataque a Preta, ele disparou outras frases racistas e homofóbicas na entrevista.
Preta acionou a Justiça após as declarações do deputado. A artista evitou entrevistas sobre o caso, mas desabafou em seu perfil no X, que ainda se chamava Twitter. “Advogado acionado, sou uma mulher negra, forte e irei até o fim contra esse deputado, racista, homofóbico, nojento, conto com o apoio de vocês.”
De acordo com o advogado Ricardo Brajterman, Preta chorou ao assistir à entrevista. “Ela está muito abalada, muito chocada e indignada. Em um país onde se prestigia todos os princípios da dignidade humana, um deputado se expressar dessa maneira é de chocar”, declarou ao jornal O Globo.
Em 2013, Preta revelou que o processo não foi para frente porque o então deputado tinha imunidade parlamentar. Em entrevista ao programa “De Frente Com Gabi”, ela afirmou que tinha pouco consciência de quem era o político e o conhecia apenas como “um deputado que fala mal de gay e de negros”. A pergunta foi feita para atender a um pedido da produção do “CQC”, com quem ela gravava outro quadro.
Bolsonaro foi condenado em uma ação movida pelos grupos Diversidade Niterói, Cabo Free de Conscientização Homossexual e Combate à Homofobia, e Arco-íris de Conscientização. Em 2019, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) manteve a condenação, cuja pena era o pagamento de R$ 150 mil por danos morais ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDDD), do Ministério da Justiça.