A dupla sertaneja Jorge e Mateus está no centro de uma polêmica que movimentou as redes sociais e teve consequências para a agenda de shows do fim de ano. As apresentações dos artistas nas festas de Réveillon de Fortaleza, no Ceará, e Recife, em Pernambuco, foram retiradas da programação de 2027 após a repercussão do posicionamento político de Jorge, que manifestou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha presidencial.
O episódio ganhou ainda mais visibilidade depois que vídeos do cantor passaram a circular novamente nas redes sociais após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, em 25 de outubro. Em uma das gravações, feita antes da votação, o sertanejo aparece fazendo uma paródia de uma música da própria dupla com uma provocação direcionada aos eleitores petistas: "Pode chorar, mas eu não voto no PT".
A repercussão chegou às administrações municipais das duas capitais nordestinas, que acabaram anunciando a retirada dos artistas das respectivas festas de virada de ano. Mas o que aconteceu exatamente? E qual foi a justificativa apresentada pelos prefeitos?
De acordo com informações publicadas pelo portal TMC, a controvérsia começou a ganhar força após a divulgação de imagens de um encontro entre artistas sertanejos e Flávio Bolsonaro, realizado em 20 de outubro, na cidade de Nerópolis, em Goiás.
Durante a reunião, Jorge declarou apoio ao então candidato à Presidência e aproveitou o momento para fazer uma paródia de uma música de seu repertório ao cantar: "Pode chorar, mas eu não voto no PT".
Em outra manifestação registrada no encontro, o cantor também fez críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) e afirmou que Flávio Bolsonaro representaria uma alternativa política para o país.
Com a vitória de Lula nas urnas, as gravações voltaram a circular e provocaram questionamentos sobre a contratação da dupla para eventos públicos no Nordeste. Parte dos internautas passou a cobrar o cancelamento das apresentações e criticou a presença de artistas que haviam manifestado apoio ao adversário político do presidente eleito.
É importante esclarecer um detalhe: a manifestação política foi feita por Jorge. Não há confirmação de que Mateus tenha participado do encontro com Flávio Bolsonaro ou declarado apoio ao mesmo candidato.
A primeira decisão oficial partiu de Fortaleza. Na terça-feira (03/11), o prefeito Evandro Leitão (PT) anunciou que Jorge e Mateus não fariam mais parte da programação do Réveillon 2027 da capital cearense.
Em pronunciamento nas redes sociais, o gestor explicou que as negociações para a contratação dos sertanejos haviam começado meses antes. No entanto, a repercussão envolvendo o posicionamento político de Jorge acabou desviando a atenção do propósito da festa.
Segundo Evandro Leitão, o encerramento do contrato foi realizado legalmente e em comum acordo com os artistas.
Outro ponto destacado pela Prefeitura de Fortaleza diz respeito ao pagamento das atrações. A administração municipal informou que os cachês dos artistas são custeados integralmente por patrocinadores privados, sem utilização de recursos do município para essa finalidade.
A situação teve um novo desdobramento na capital pernambucana. Também na terça-feira (03/11), o prefeito Victor Marques (PCdoB) confirmou que a dupla seria retirada da programação da Virada Recife 2027.
Inicialmente, o gestor havia defendido a manutenção da apresentação e o respeito às diferentes posições políticas. Em uma manifestação anterior, chegou a afirmar que os palanques eleitorais deveriam ser desmontados depois da votação.
Entretanto, diante da repercussão do caso e da decisão anunciada pela Prefeitura de Fortaleza, Victor Marques mudou de posição e comunicou a retirada dos sertanejos da festa.
A justificativa apresentada foi a de que já não havia clima para a realização do show dentro da proposta de união e confraternização associada às comemorações de fim de ano.
A apresentação de Jorge e Mateus estava prevista para 27 de dezembro, na Praia do Pina, no Recife.
Depois que a polêmica ganhou proporções maiores, Jorge divulgou um posicionamento individual para rebater comentários que circulavam nas redes sociais e atribuíam a ele supostas declarações depreciativas sobre o povo nordestino.
Na nota, o cantor negou ter feito ofensas à região e afirmou ter carinho, admiração e respeito pelo Nordeste.
O sertanejo também fez questão de esclarecer que estava se manifestando em seu próprio nome, uma vez que a situação envolvia seu posicionamento individual, e não necessariamente Mateus ou toda a trajetória da dupla.
Segundo reportagem do UOL, as prefeituras de Recife e Fortaleza também negaram que a retirada dos shows tivesse sido motivada por supostas declarações xenofóbicas do artista. De acordo com as administrações municipais, as decisões ocorreram diante da repercussão negativa e das críticas relacionadas à contratação.
Outro ponto que despertou a curiosidade do público envolve as condições financeiras para a retirada dos sertanejos das festas de Réveillon.
Em Fortaleza, a prefeitura informou que o cancelamento aconteceu em comum acordo com os artistas. A administração também reforçou que os cachês das atrações seriam pagos por patrocinadores privados, sem dinheiro dos cofres municipais destinado a essa finalidade.
No caso de Recife, a contratação também seria custeada por parceiros privados, conforme informações da administração municipal.
Até o momento, porém, não foram divulgados detalhes sobre possíveis multas, indenizações ou valores envolvidos no encerramento dos contratos.
Assim, a polêmica que começou com uma manifestação política individual de Jorge acabou provocando mudanças na programação de duas importantes festas de Réveillon do Nordeste. Embora a dupla tenha sido retirada dos eventos, o cantor fez questão de se pronunciar sobre as acusações que circularam nas redes sociais, enquanto as prefeituras apresentaram suas justificativas para as decisões.