'Não tenho interesse em enviar uma mensagem neutra': o posicionamento político que fez vocalista do Avenged Sevenfold perder MILHARES de seguidores antes do Rock in Rio 2026
Publicado em 5 de setembro de 2026 às 10:03
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M. Shadows, que já viu o Avenged Sevenfold ser associado à direita nos Estados Unidos, decidiu romper com a imagem e assumir uma posição pública em 2020
'Não tenho interesse em enviar uma mensagem neutra': o posicionamento político que fez vocalista do Avenged Sevenfold perder MILHARES de seguidores antes do Rock in Rio 2026 M. Shadows, vocalista do Avenged Sevenfold, se posicionou publicamente em defesa do movimento Black Lives Matter em 2020. Anos depois, o cantor revelou que a declaração fez a banda perder uma enorme quantidade de seguidores À frente do Avenged Sevenfold, M. Shadows construiu uma das vozes mais marcantes do metal moderno. Em 2020, porém, foi sua declaração política que chamou atenção ao redor do mundo M. Shadows surpreendeu os fãs do Avenged Sevenfold ao publicar um texto em defesa do Black Lives Matter. O posicionamento provocou reação nas redes sociais e fez a banda perder muitos seguidores O vocalista M. Shadows, do Avenged Sevenfold, já admitiu que a banda foi vista como um grupo de direita no passado. Em 2020, ele decidiu deixar clara sua posição sobre o racismo nos Estados Unidos

M. Shadows não é exatamente o tipo de artista que costuma aparecer no noticiário político. À frente do Avenged Sevenfold, uma das bandas de metal mais conhecidas dos Estados Unidos, ele construiu a carreira entre guitarras pesadas, grandes festivais como o Rock in Rio, letras controversas e uma estética que nunca teve medo de provocar. 

Mas, em 2020, o cantor decidiu usar a própria voz para falar de um assunto que ultrapassava a música - e descobriu que se posicionar também poderia ter um preço. 

Vocalista do Avenged Sevenfold apoiou movimento do Black Lives Matter

Em junho daquele ano, enquanto os Estados Unidos eram tomados por protestos após a morte de George Floyd, Shadows publicou uma carta aberta na revista Revolver para explicar por que apoiava o movimento Black Lives Matter. E, desde as primeiras linhas, deixou claro que não pretendia fazer um discurso confortável para agradar a todos.

“Não tenho interesse em enviar uma mensagem neutra”, avisou o vocalista, antes de criticar a tentativa de reduzir o momento à discussão sobre os protestos e a violência que acompanhava parte das manifestações.

Para Shadows, havia uma questão muito maior por trás daquela revolta. “Espero que possamos ser honestos conosco; dar um passo para trás e escolher entre o certo e o errado e rejeitar a hipérbole política”, escreveu. Na avaliação dele, se os protestos anteriores tivessem sido ouvidos com mais atenção, os Estados Unidos poderiam não ter chegado àquele ponto.

O cantor citou, por exemplo, o protesto do jogador de futebol americano Colin Kaepernick, que passou a se ajoelhar durante o hino nacional em jogos da NFL como forma de chamar atenção para a desigualdade racial e a violência policial. Para Shadows, manifestações pacíficas haviam sido ignoradas por tempo demais.

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À frente do Avenged Sevenfold, M. Shadows construiu uma das vozes mais marcantes do metal moderno. Em 2020, porém, foi sua declaração política que chamou atenção ao redor do mundo © Getty Images, Sergione Infuso - Corbis
Rockeiro pediu para pessoas brancas não serem omissas diante de racismo

“Se tivéssemos dado atenção aos protestos que aconteceram antes disso com uma mente e um coração abertos, talvez estivéssemos em uma situação diferente da que nos encontramos agora. A realidade é que isso não é um ‘problema dos negros’ - é um problema americano. Até que o abordemos dessa forma, as coisas continuarão iguais”, escreveu.

A carta também ganhou um tom pessoal. Shadows contou que tinha pessoas negras importantes em sua vida - entre elas seu melhor amigo, sobrinho, integrantes da equipe, colegas e conhecidos - e afirmou ter testemunhado situações que o fizeram enxergar o problema de outra maneira.

“Os comentários feitos de maneira casual que ouvi pelas costas deles deveriam deixar qualquer pessoa decente com o estômago embrulhado”, relatou. Ele também mencionou “olhares sujos”, comentários maldosos e provocações feitas na rua, afirmando que aquilo fazia parte do cotidiano de pessoas negras próximas a ele.

Em outro momento, lembrou de quando levou o cunhado para assistir ao Slipknot, uma das bandas favoritas dele. Segundo Shadows, a presença de um homem negro naquele ambiente fez com que ele percebesse uma tensão que antes não enxergava da mesma maneira. “A tensão de um homem negro estar naquela multidão era palpável”, escreveu.

A partir daí, o vocalista direcionou a mensagem especialmente aos fãs brancos do Avenged Sevenfold. “Se você é branco e ficou sentado à margem dessa situação, precisamos que você se manifeste”, pediu.

“Tomar uma posição por nossos companheiros americanos não significa que você apoie os tumultos. Significa simplesmente que está ouvindo e quer ajudar”, escreveu.

'As vidas dos oprimidos precisam da nossa atenção'

Foi nesse contexto que Shadows criticou a reação “All Lives Matter” ao movimento Black Lives Matter. A lógica defendida por ele era que reconhecer que todas as vidas têm valor não deveria apagar a atenção necessária naquele momento às pessoas que sofriam opressão. “Todas as vidas são valiosas - isso é um dado. Mas, neste momento, as vidas dos oprimidos precisam da nossa atenção total”, destacou.

O cantor ainda explicou por que sentia que precisava falar justamente para aquele público. Segundo ele, o Avenged Sevenfold tinha uma base formada por “pouquíssimos americanos negros”, e isso tornava o posicionamento ainda mais necessário: “Podemos ser nós - a comunidade do rock e do metal - a estender a mão e mostrar a compaixão que sei que existe em todos nós”.

O vocalista também reconheceu que o Avenged Sevenfold tinha usado bandeiras confederadas em trabalhos anteriores. Segundo ele, o símbolo havia aparecido tanto como uma homenagem a artistas que influenciaram os integrantes quanto como uma tentativa deliberada de provocar controvérsia. “Tenho certeza de que seremos criticados, e com razão, pelas pessoas que lerem isso. Sem desculpas. Mas todos amadurecem em algum momento”, continuou.

Pronunciamento fez a banda perder seguidores

Para ele, a mudança de visão também fazia parte da própria trajetória do grupo. Shadows disse ser grato por ter uma audiência que permitiu que a banda evoluísse junto com ela. A declaração, no entanto, teve consequências.

Meses depois, ao relembrar 2020 em entrevista à Kerrang!, Shadows contou que havia pedido autorização aos integrantes do Avenged Sevenfold antes de publicar a carta. E revelou que, depois do posicionamento, a banda perdeu uma quantidade significativa de seguidores no Instagram. “Acho que perdemos uma quantidade enorme de seguidores no Instagram naquele dia”, afirmou.

Shadows também demonstrou surpresa com a reação de parte do público e disse considerar curioso que alguém pudesse ser “cancelado” simplesmente por declarar apoio ao Black Lives Matter.

O Avenged Sevenfold é uma das atrações mais aguardadas do Rock in Rio 2026. Antes do festival, relembre a polêmica envolvendo o posicionamento político de M. Shadows em 2020 © Getty Images, Scott Legato
De adolescentes da Califórnia a headliners do Rock in Rio

Muito antes de chegar ao Palco Mundo, o Avenged Sevenfold era um grupo de adolescentes de Huntington Beach, na Califórnia. A banda surgiu em 1999, formada inicialmente por M. Shadows, Zacky Vengeance, The Rev e Matt Wendt. Synyster Gates entrou depois do primeiro álbum, enquanto Johnny Christ se tornou o baixista da formação que ficaria conhecida mundialmente.

O nome, inspirado em uma passagem bíblica, significa algo como “vingado sete vezes”. A sonoridade, porém, não ficou presa a uma única fórmula. O grupo começou próximo do hardcore e do metalcore, especialmente no álbum Sounding the Seventh Trumpet, de 2001, e foi ampliando suas referências ao longo dos anos.

O ponto de virada veio com City of Evil, de 2005. A banda abandonou boa parte dos vocais gritados e apostou em melodias, harmonias e solos de guitarra que aproximaram o A7X de referências como Metallica, Iron Maiden, Guns N' Roses e Pantera.

M. Shadows também precisou reaprender a usar a própria voz. Antes de City of Evil, ele havia passado por uma cirurgia após problemas nas cordas vocais. O baterista The Rev contou posteriormente que um vaso sanguíneo nas cordas vocais de Shadows inflamava e fechava sua garganta. O cantor chegou a trabalhar com o preparador vocal Ron Anderson, conhecido por ter trabalhado com artistas como Axl Rose e Chris Cornell.

A transformação funcionou. O Avenged deixou de ser apenas uma promessa do circuito underground e passou a ocupar arenas e grandes festivais. Hoje, o próprio Rock in Rio apresenta o grupo como uma das grandes bandas do metal moderno, com mais de 12 milhões de álbuns vendidos no mundo. Nightmare (2010) e Hail to the King (2013) chegaram ao topo da Billboard 200.

Quem é M. Shadows por trás da maquiagem e das guitarras?

O vocalista nasceu como Matthew Charles Sanders, em 31 de julho de 1981, em Fountain Valley, na Califórnia, e cresceu em Huntington Beach. Antes do Avenged, passou por uma banda chamada Successful Failure e chegou a escrever “Streets”, música que posteriormente seria gravada pelo A7X em seu primeiro álbum.

A relação com os companheiros de banda também vem de muito antes da fama. Shadows, Zacky Vengeance e The Rev cresceram no mesmo ambiente e construíram a banda praticamente juntos. Foi com esses amigos que ele experimentou a ascensão meteórica e também uma das maiores tragédias de sua vida.

A morte de The Rev quase acabou com a banda

Em 28 de dezembro de 2009, Jimmy “The Rev” Sullivan morreu aos 28 anos. O baterista era muito mais do que o músico responsável pela bateria: também compunha e participou diretamente da criação de algumas das músicas mais importantes do Avenged Sevenfold.

A morte aconteceu justamente quando o grupo estava prestes a entrar no estúdio para gravar o próximo álbum. Em uma entrevista recuperada pela Metal Hammer, M. Shadows contou qual foi seu primeiro pensamento ao saber da notícia: “A banda acabou".

O disco sequer era uma preocupação naquele momento. Os integrantes precisavam ficar juntos, conversar e tentar entender como continuar depois da perda de um amigo que fazia parte de suas vidas desde a adolescência.

No fim, decidiram seguir. Nightmare, lançado em 2010, tornou-se o primeiro álbum do Avenged Sevenfold a chegar ao primeiro lugar da Billboard 200. Mike Portnoy, ex-baterista do Dream Theater e um dos ídolos de The Rev, participou das gravações e da turnê daquele período.

O sucesso veio acompanhado de mudanças - e polêmicas

Depois de Nightmare, o Avenged lançou Hail to the King, em 2013, e novamente chegou ao topo das paradas americanas. A banda havia passado de um grupo de jovens músicos da Califórnia a uma atração capaz de lotar grandes arenas.

Mas Shadows nunca pareceu muito interessado em permanecer preso a uma fórmula. Em 2016, o grupo lançou The Stage, um álbum conceitual que explorava inteligência artificial, tecnologia e questões existenciais. Anos depois, veio Life Is But a Dream..., de 2023, ainda mais experimental.

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Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
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