Juliano Floss, do 'BBB 26', ameaça processar responsáveis por vídeo íntimo falso com Jonas Sulzbach; Paolla Oliveira, Xuxa e outros 5 famosos também foram vítimas de IA
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 17:27
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De vídeos íntimos falsos a anúncios fraudulentos de medicamentos, casos envolvendo Juliano Floss, Paolla Oliveira, Xuxa e Tony Ramos mostram como a inteligência artificial pode ser usada sem autorização de pessoas famosas
Juliano Floss, do 'BBB 26', ameaça processar responsáveis por vídeo íntimo falso com Jonas Sulzbach; Paolla Oliveira, Xuxa e outros 5 famosos também foram vítimas de IA Juliano Floss denunciou um vídeo íntimo falso criado com inteligência artificial que simula uma situação sexual com Jonas Sulzbach e afirmou que pretende processar os responsáveis Xuxa denunciou o uso indevido de sua imagem em um vídeo manipulado por inteligência artificial que, segundo ela, distorcia o contexto de uma gravação feita em 2022 Paolla Oliveira relatou ter recebido um vídeo pornográfico falso feito com seu rosto e contou que sofreu chantagem após o uso indevido de sua imagem por inteligência artificial Tony Ramos denunciou um vídeo manipulado que simulava uma entrevista com Ana Maria Braga e o mostrava recomendando um medicamento para a próstata

Um vídeo de teor sexual envolvendo Juliano Floss e Jonas Sulzbach, criado com inteligência artificial, causou um rebuliço nas redes sociais e deixou o ex-BBB indignado. Nesta quinta-feira (1º), o influenciador se manifestou no X (antigo Twitter) e avisou que vai atrás dos responsáveis. O conteúdo simula uma situação íntima entre os dois - algo que nunca aconteceu na vida real.

Revoltado com a circulação do material, Juliano deixou claro que pretende tomar providências contra quem participou da divulgação: "Isso é crime, p*rra! Se liguem. [...] Anotando nome por nome. Não me dá trabalho nenhum achar e processar alguém que esteja cometendo um crime contra mim. Tem gente que acha que aqui é terra de ninguém só porque não tem o nomezinho e o CPF". 

Infelizmente, o caso de Floss não é isolado. Ainda em 2026, outros nomes conhecidos do público enfrentaram situações semelhantes. Paolla Oliveira, Xuxa Meneghel, Flávia Alessandra, Otaviano Costa, Fernanda Montenegro, Antonio Fagundes e Tony Ramos estão entre os artistas que denunciaram o uso indevido de suas imagens ou vozes em conteúdos produzidos ou manipulados com inteligência artificial.

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Paolla Oliveira relatou impacto de vídeo pornográfico falso e chantagem

Paolla denunciou a circulação de imagens e vídeos sexuais falsos produzidos com inteligência artificial e relatou o impacto de receber um conteúdo pornográfico que utilizava seu rosto. Em entrevista ao Fantástico, exibida em 2 de agosto, Paolla descreveu a reação ao se deparar com uma das montagens.

“Recebi um vídeo pornográfico [falso], bem pesado, com o meu rosto. Você sabe que não é você, mas você não tem como fazer nada sobre aquilo... Eu gelei, fiquei branca, a minha perna amoleceu. A coisa vai tomando uma proporção que realmente passa dos limites”, contou. A atriz também afirmou que sofreu chantagem após a circulação de montagens íntimas e acionou a polícia e sua equipe jurídica.

A dimensão da circulação do material foi documentada pelo NetLab, Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em levantamento publicado em agosto, os pesquisadores identificaram 198 anúncios que utilizavam indevidamente a imagem da atriz em plataformas da Meta. Desses, 191 direcionavam os usuários a grupos em aplicativos de mensagens nos quais eram distribuídos deepfakes pornográficos.

O estudo, intitulado "Sem consentimento: anúncios em redes sociais promovem falsos vídeos sexuais de Paolla Oliveira produzidos com inteligência artificial", aponta que a tecnologia facilita a produção e a disseminação de imagens íntimas falsas, enquanto a publicidade nas plataformas pode ampliar o alcance desse tipo de conteúdo.

Ao comentar a situação, Paolla criticou a forma como essas ferramentas podem ser utilizadas contra mulheres. “Essas ferramentas potencializaram a objetificação das mulheres. A plataforma consegue não só tirar sua roupa, mas colocar você em situações vexatórias ou de cunho sexual”, afirmou, em entrevista ao programa da Globo.

Xuxa denuncia uso de deepfake para distorcer declaração política

Outro caso recente envolve Xuxa Meneghel. Nesta quinta-feira (1º), a apresentadora usou o Instagram para denunciar o uso indevido de sua imagem em um vídeo que, segundo ela, estava sendo manipulado para alterar o sentido de uma declaração antiga.

Xuxa explicou que a gravação original era de 2022 e expressava sua indignação com uma fala do então presidente Jair Bolsonaro sobre meninas venezuelanas. A apresentadora afirmou que o conteúdo estava sendo utilizado para dar a entender que ela estaria criticando o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. “Achei que não ia precisar vir aqui falar que estão usando a minha imagem indevidamente com deepfakes… mas vamos lá!”, escreveu.

Na sequência, explicou o contexto do vídeo e reafirmou sua indignação com a declaração de Bolsonaro. “Esse vídeo de 2022 foi pra colocar a minha indignação e nojo às falas do EX-presidente da República e, hoje, prisioneiro”, afirmou.

Xuxa também reforçou que é contra diferentes formas de preconceito e concluiu a publicação com uma resposta a quem interpretou o vídeo como uma crítica ao atual presidente: “Quem acreditou que eu poderia estar falando do nosso atual presidente não me conhece MESMO”.

Flávia Alessandra e Otaviano Costa tiveram imagens usadas em anúncios falsos

Flávia Alessandra e Otaviano Costa também precisaram alertar os seguidores sobre o uso de suas imagens e vozes em vídeos publicitários produzidos com inteligência artificial. Em agosto, o casal denunciou conteúdos que simulavam recomendações de produtos e faziam promessas que não haviam autorizado.

“Infelizmente, tem circulado por aí vídeos e anúncios feitos com inteligência artificial, usando a minha imagem e a do Otaviano para divulgar produtos e promessas que não são verdade”, explicou Flávia nas redes.

Otaviano reforçou o alerta e orientou os seguidores a conferir os perfis oficiais antes de acreditar em uma propaganda que utilize a imagem do casal. “Esses conteúdos são falsos e foram criados sem a nossa autorização. Sempre que vocês virem qualquer propaganda com a nossa imagem, façam o seguinte: confiram aqui antes se ela foi publicada no meu perfil oficial ou no da Flávia. Se não tiver aqui ou lá, não acreditem”, declarou.

Em entrevista ao Fofocalizando, do SBT, Flávia contou que o material era convincente a ponto de sua própria mãe questionar se a gravação era verdadeira. “É muito importante falar. A minha mãe veio perguntar se era eu”, relatou.

Fernanda Montenegro e Antonio Fagundes denunciam anúncios falsos de medicamento

Em setembro, Fernanda Montenegro e Antonio Fagundes denunciaram o uso de suas imagens em propagandas de um suposto medicamento que prometia curar o Alzheimer e aliviar sintomas associados ao envelhecimento.

Fernanda publicou um vídeo para alertar o público sobre a utilização indevida de sua imagem e voz. A atriz afirmou que o anúncio a apresentava como se fosse uma usuária e divulgadora do produto. “Quero denunciar e protestar o uso agressivo, ofensivo da minha pessoa, usada como locutora e usuária de um tipo de remédio, indicado até por um médico”, declarou.

A atriz também classificou o anúncio como criminoso. O problema não se limitava à falsa associação comercial: a propaganda promovia uma promessa de cura para uma doença para a qual não existe medicamento capaz de proporcionar a cura.

Antonio Fagundes também se manifestou contra o uso de sua imagem para vender o produto. “Uma empresa qualquer tem usado minha imagem para vender remédios. É falso, é mentiroso, é ofensivo, é criminoso”, afirmou.

Tony Ramos também teve imagem usada para promover remédio falso

Tony Ramos relatou uma situação semelhante durante sua participação no Roda Viva, da TV Cultura, em setembro. O ator contou que sua imagem foi utilizada em um vídeo manipulado que simulava uma entrevista com Ana Maria Braga. Na montagem, ele aparecia supostamente recomendando um medicamento para a próstata.

“Roubaram minha imagem em uma entrevista com a Ana Maria Braga. Dublaram, mal dublado, aliás, e fizeram eu vender um remédio para próstata”, afirmou. Durante a entrevista, Tony também criticou a possibilidade de recriação digital de atores sem autorização. Ao comentar a hipótese de ser reproduzido artificialmente em produções audiovisuais, afirmou: “Em vida, eu não permitiria nem a pau”.

O ator ainda explicou sua posição sobre a dimensão humana da interpretação: “Não quero isso. Acho um horror, acho que isso é mentir para quem te assiste”.

O que é deepfake e por que a prática pode ser criminosa?

Deepfake é um conteúdo audiovisual produzido ou manipulado com recursos de inteligência artificial para imitar a aparência, a voz ou os movimentos de uma pessoa. A tecnologia pode ser utilizada em diferentes contextos, inclusive em produções legítimas e autorizadas. O problema surge quando é empregada para enganar, expor alguém, fabricar uma situação íntima ou explorar a imagem de terceiros sem consentimento.

No caso de Juliano Floss e Jonas Sulzbach, a montagem simula uma situação sexual que não aconteceu. Já nos episódios envolvendo Paolla Oliveira, a tecnologia foi utilizada para produzir conteúdo pornográfico falso. Nos casos de Flávia Alessandra, Otaviano Costa, Fernanda Montenegro, Antonio Fagundes e Tony Ramos, o recurso foi empregado para criar recomendações comerciais que os artistas não autorizaram.

A legislação brasileira prevê punição para determinadas condutas relacionadas a esse tipo de manipulação. O artigo 216-B do Código Penal criminaliza o registro não autorizado de conteúdo com nudez ou ato sexual de caráter íntimo e privado e também inclui a montagem feita com o objetivo de inserir alguém em uma cena dessa natureza. A pena prevista é de detenção de seis meses a um ano, além de multa.

Isso não significa que todos os casos de uso indevido de IA se enquadrem automaticamente no mesmo artigo. A responsabilização depende das circunstâncias, do conteúdo produzido e das condutas de cada envolvido. Outras consequências civis e penais podem ser analisadas conforme o caso concreto.

A legislação também foi atualizada em agosto de 2026 pela Lei nº 15.487, que ampliou medidas de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente digital, inclusive quando há uso de inteligência artificial. 

A norma alterou dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente e estabeleceu regras específicas para conteúdos de violência sexual envolvendo menores. O texto pode ser consultado no Portal da Legislação do Governo Federal.

É importante, portanto, não tratar a inteligência artificial em si como crime. O que pode configurar uma infração é a maneira como a ferramenta é utilizada, especialmente quando há violação da intimidade, da imagem, da honra ou dos direitos de outra pessoa.

Compartilhar o conteúdo também pode ampliar o dano

A circulação de vídeos falsos não depende apenas de quem os produz. Repostar, encaminhar ou divulgar uma montagem íntima pode aumentar a exposição da vítima e ampliar o alcance do material. Dependendo das circunstâncias, a divulgação também pode gerar responsabilização.

Por isso, diante de um vídeo suspeito, a orientação é não compartilhar o conteúdo, mesmo que a intenção seja comentar a polêmica ou alertar outras pessoas. O ideal é preservar evidências da publicação, como links, perfis, datas e capturas de tela, e buscar os canais de denúncia da plataforma. A vítima também pode procurar orientação jurídica e registrar ocorrência quando necessário.

Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
Leonino apaixonado por entretenimento e cultura pop! Filho legítimo de Britney Spears e obcecado pela Anitta, claro!
Sobre
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