Neste domingo (25), além da expectativa pelo segundo turno das eleições presidenciais de 2026, disputado entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), outra data chama a atenção: o aniversário de Katy Perry. A cantora norte-americana que completa 42 anos, cujo nome de nascimento é Katheryn Elizabeth Hudson, construiu uma trajetória musical marcada por sucessos internacionais e também protagonizou episódios que a aproximaram de debates políticos no Brasil.
Publicamente alinhada ao Partido Democrata nos Estados Unidos, a artista já participou de campanhas eleitorais e declarou apoio a candidatos da legenda. Nas eleições presidenciais norte-americanas de 2024, por exemplo, ela participou de comícios de Kamala Harris e divulgou seu voto antecipado na candidata. Anteriormente, também havia apoiado Hillary Clinton, em 2016.
Ao longo da carreira, Katy Perry esteve seis vezes no Brasil, contando com a passagem mais recente, em setembro de 2025. Além dos shows, algumas situações envolvendo a cantora repercutiram no cenário político brasileiro. Relembre quatro momentos que ajudam a entender essa relação.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu em março de 2018, quatro dias após o assassinato da vereadora Marielle Franco. Durante uma apresentação na Praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, a cantora interrompeu o espetáculo, projetou uma imagem da parlamentar no telão e convidou Anielle Franco, irmã de Marielle, e Luyara Franco, filha da vereadora, para subirem ao palco.
Na ocasião, a artista dedicou a música "Unconditionally" à ativista. Enquanto a homenagem acontecia, o público gritava "Marielle, presente!". A apresentação marcou o encerramento da turnê "Witness Tour" no Brasil.
© Divulgação, Tuiki Borges
Segundo uma publicação da Midiorama, assessoria da Move Concerts, produtora responsável pela turnê no país, a participação de Anielle e Luyara não estava inicialmente planejada daquela maneira. A ideia original era encontrar uma fotografia de Marielle para exibi-la no telão.
A postagem explicou que as familiares foram ao encontro da cantora e atenderam ao chamado para participar da homenagem. Além de reservar um momento para conversar com as duas, Katy teria enviado rosas vermelhas ao final do encontro.
No camarim, segundo o relato publicado pela assessoria, a cantora afirmou: "Marielle ficará marcada em nossa memória, ela iniciou uma revolução". As duas também presentearam a artista com uma camiseta estampada com a frase "eu sou porque nós somos".
Três anos depois, Katy Perry voltou a aparecer em uma mobilização política relacionada ao Brasil. Em abril de 2021, a cantora integrou um grupo de 36 artistas brasileiros e norte-americanos que enviaram uma carta ao então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
O documento pedia que o governo norte-americano não fechasse um acordo ambiental com o governo de Jair Bolsonaro antes que houvesse uma redução efetiva do desmatamento na Amazônia.
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De acordo com reportagem da Folhapress, publicada em 20 de abril de 2021, a iniciativa reuniu nomes como Leonardo DiCaprio, Joaquin Phoenix, Mark Ruffalo, Orlando Bloom e Roger Waters. Entre os brasileiros que assinaram o documento estavam Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marisa Monte, Sonia Braga e Wagner Moura.
A carta defendia medidas concretas de proteção ambiental e respeito aos direitos humanos, além da participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações da sociedade civil nas discussões.
O grupo argumentava que um eventual acordo não deveria ser firmado antes de resultados reais no combate ao desmatamento. A mobilização ocorreu em meio às discussões internacionais sobre a preservação da Amazônia e às negociações entre os governos brasileiro e norte-americano.
Já em outubro de 2022, Katy Perry se envolveu involuntariamente em uma polêmica relacionada à disputa eleitoral brasileira. Segundo a revista Veja, em reportagem publicada em 26 de outubro daquele ano, a cantora foi abordada por fãs no camarim antes de um show e recebeu um pedido para fazer o número "22" com as mãos e dizer "te amo, Brasil".
O número era associado à candidatura de Jair Bolsonaro (PL), que disputava a reeleição contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A partir do registro, apoiadores de Bolsonaro compartilharam as imagens nas redes sociais, interpretando o gesto como uma demonstração de apoio político da artista. A situação, porém, foi apresentada pela publicação como um episódio em que a cantora teria sido enganada pelos fãs.
Naquele contexto, outras publicações de artistas internacionais também foram utilizadas por apoiadores do então presidente como material favorável à candidatura. A reportagem citou, por exemplo, uma imagem compartilhada por Nick Jonas, integrante do grupo Jonas Brothers, na qual aparecia uma camisa de futebol americano com o número 22.
O episódio evidenciou como imagens e gestos de celebridades estrangeiras podem ganhar interpretações políticas durante períodos eleitorais, mesmo quando não há uma declaração explícita de apoio a determinado candidato.
Mais recentemente, o nome da cantora voltou a circular nas redes sociais brasileiras por um motivo diferente. Segundo o portal Metrópoles, a repercussão aconteceu em meio às discussões sobre "Dark Horse", filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, protagonizado por Jim Caviezel.
A associação com Katy Perry surgiu por causa da música "Dark Horse", lançada pela cantora em 2013 em parceria com Juicy J. Um dos sucessos da artista naquele ano, a faixa voltou a ser mencionada por internautas em razão da coincidência entre os títulos.
© Reprodução, YouTube
Nas redes sociais, usuários fizeram comentários irônicos sobre a escolha do nome do longa. Um deles escreveu: "Estou achando que descobri porque o filme custou tão caro. Conseguiram inserir a música Dark Horse da Katy Perry. Tudo resolvido, sigamos o baile".
Outras publicações também brincaram com a associação entre a canção pop e a produção cinematográfica. A repercussão, portanto, esteve relacionada à coincidência de nomes, e não a uma manifestação política da cantora sobre o filme.
O longa, que retrata a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018, também foi mencionado em reportagens sobre questionamentos envolvendo seu financiamento. Conforme as informações reunidas pelo Metrópoles, o banqueiro Daniel Vorcaro teria desembolsado R$ 61 milhões para o projeto, como parte de um acordo que totalizaria R$ 134 milhões.