Quando o assunto é Hollywood, Leonardo DiCaprio está acostumado a grandes produções, tapetes vermelhos e personagens que entram para a história do cinema. Fora das telas, porém, uma das maiores empreitadas associadas ao ator não envolve nenhum estúdio: uma ilha de 42 hectares na costa de Belize.
Em 2005, DiCaprio comprou, ao lado do empresário Jeff Gram, a desabitada Blackadore Caye por US$ 1,75 milhão. A aquisição não nasceu apenas do desejo de ter um endereço paradisíaco. A ideia apresentada pelo astro era transformar o território em um projeto de recuperação ambiental, depois de anos de impactos provocados pela atividade humana. As informações foram divulgadas pelo portal argentino TN, em reportagem publicada em 9 de setembro de 2026.
A história, aliás, começou durante uma viagem. DiCaprio conheceu a região no ano anterior à compra e ficou impressionado com a paisagem. Ao falar sobre o lugar, resumiu a primeira impressão com uma frase bastante cinematográfica: "Era como o paraíso na Terra".
Por trás da aparência de cenário de férias, entretanto, Blackadore Caye carregava problemas ambientais. Segundo o TN, a região havia sido afetada pela pesca excessiva, pela erosão da costa e pela perda de manguezais, fatores que contribuíram para a deterioração do ecossistema local. E é justamente aí que entra a proposta que tornou a ilha um dos projetos mais curiosos ligados ao nome de DiCaprio.
Em vez de simplesmente ocupar o território com uma propriedade particular convencional, o ator apresentou, aproximadamente uma década depois da aquisição, o projeto "Blackadore Caye, a Restorative Island". A proposta era criar um empreendimento turístico de luxo que, pelo planejamento divulgado, também funcionaria como uma espécie de laboratório de restauração ambiental.
O conceito previa energias renováveis, redução de resíduos e restrições ao uso de produtos poluentes. Outra preocupação era limitar a área ocupada pelas construções para preservar uma parcela significativa do território natural.
Um dos elementos mais importantes da proposta é justamente aquele que pode parecer menos glamouroso em uma ilha de luxo: o mangue. O plano previa a recuperação dos manguezais que haviam desaparecido ou sido reduzidos na região. Esses ambientes têm papel importante nos ecossistemas costeiros porque ajudam a conter a erosão e servem de abrigo e área de reprodução para diferentes espécies.
O planejamento ambiental divulgado para Blackadore Caye também previa a recuperação da vegetação marinha e a criação de condições mais favoráveis para a biodiversidade aquática. Informações sobre o projeto indicavam ainda uma área voltada à conservação de peixes-boi, mamíferos aquáticos encontrados em ambientes costeiros, rios e lagoas de Belize.
Documentos relacionados ao projeto também descrevem ações de reflorestamento de manguezais e recuperação de vegetação aquática, justamente com a intenção de reduzir a erosão e melhorar as condições do habitat de espécies marinhas.
O projeto foi concebido para conciliar conservação e hospedagem de luxo. Informações publicadas pela Architectural Digest sobre o empreendimento apontavam para a construção de bangalôs e residências, com uma arquitetura pensada para integrar as áreas construídas à paisagem. O planejamento também incluía recursos como painéis solares e medidas voltadas à eficiência ambiental.
Em outras palavras, a ideia era que Blackadore Caye não fosse apenas uma ilha bonita com um resort. O próprio empreendimento deveria contribuir para recuperar uma área que já havia sofrido impactos ambientais.
O projeto chegou a ser associado a metas ambientais bastante ambiciosas. Entre elas estavam a utilização de fontes renováveis de energia, a redução de resíduos e a recuperação de áreas naturais. Informações divulgadas na época também mencionavam o replantio de manguezais e a manutenção do recife ao redor da ilha.
Apesar da proposta sustentável, o projeto foi alvo de questionamentos de grupos ambientalistas e comunidades locais. A preocupação estava relacionada justamente à possibilidade de que a construção de um empreendimento turístico provocasse impactos sobre os manguezais, o fundo marinho e áreas utilizadas para pesca.
A questão levantada pelos críticos era, em essência, como um resort poderia ser considerado ambientalmente restaurador se a própria construção e a chegada de visitantes poderiam gerar novos impactos.
A Architectural Digest também registra que o projeto enfrentou atrasos e que, anos depois de sua apresentação, a construção ainda não havia avançado como originalmente previsto.
A previsão inicial era que o empreendimento fosse inaugurado em 2018. O prazo, porém, não foi cumprido.
Segundo o TN, a transformação de Blackadore Caye ainda não foi concluída. Assim, embora a compra da ilha tenha acontecido há mais de duas décadas e o projeto tenha