O blush se tornou um produto de maquiagem indispensável para muitas mulheres. Talvez seja porque poucos produtos conseguem proporcionar instantaneamente aquele desejado efeito de aparência saudável.
Mas, além de sua capacidade de trazer frescor e de seu evidente efeito rejuvenescedor, o blush é um daqueles produtos que oferecem muitas possibilidades, e as tendências ditam sua forma de uso.
Depois do blush blindness, em que o blush nunca parecia ser suficiente, agora nos deparamos com a tendência contrária: o barely there blush, ou blush quase imperceptível.
Nos últimos anos, o blush foi o grande protagonista das maquiagens. Vimos por toda parte bochechas bem coradas, em tons de rosa intenso ou vermelho vibrante, com tendências como o strawberry blush e o cold girl makeup.
Mas agora o blush diminui o volume e aparece em uma versão muito mais sutil.
Essa tendência está longe de deixar o blush de lado: a proposta é usá-lo de maneira mais suave, dando um toque muito natural às bochechas, como se o rubor viesse de dentro. Os tons também não são tão avermelhados, alaranjados ou de um rosa intenso.
A paleta do efeito antiblush segue mais a linha dos beges rosados, como o rosa-pálido, dos marrons suaves e dos rosas queimados. São tons que se fundem à pele e aparecem como um véu esfumado, sem se tornarem os protagonistas do visual.
“Não se trata de abandonar o blush por completo; trata-se de se afastar dos tons muito saturados, dos rosas e corais evidentes, e escolher cores que se aproximem muito mais dos tons naturais da pele”, explica a maquiadora Lisa Caldognetto à publicação Marie Claire UK.
Pablo García, maquiador da Maybelline NY, comenta: “Mais do que nos cansarmos do blush, estamos mudando a forma de entendê-lo”.
Na verdade, assim como acontece com outras tendências, a maneira de aplicar o blush vai mudando.
Por isso, “nos últimos anos, não paramos de ver blushes muito pigmentados, com bastante protagonismo, e agora buscamos tons que se integrem mais à pele, como se aquele tom rosado fosse naturalmente nosso”, diz o especialista.
Na verdade, é muito comum que, quando algo é usado em excesso, a tendência seguinte siga na direção contrária. E foi isso que aconteceu com o blush.
Depois de vermos o produto ser aplicado das bochechas às têmporas, na testa e até no queixo, em tons muito intensos, agora a nova tendência é justamente o oposto.
Antes, o blush cobria boa parte da pele. Agora que ela volta a ganhar protagonismo, o produto aparece com menos intensidade.
A maquiadora Raquel Álvarez, embaixadora de beleza da Chanel, explica que “evoluímos para uma sofisticação muito mais sutil e refinada. O barely there blush não é a ausência de blush, mas a busca pela naturalidade. Não é uma falta de produto, mas um exercício de máxima precisão e sutileza”.
Agora, “o acabamento é muito mais sutil, por isso não se percebe aquele toque de cor intensa que costuma caracterizar o blush. É um acabamento suave, natural e harmonioso. É quase como um blush, um bronzer e um contorno, tudo em um só”, acrescenta Caldognetto.
“No fim das contas, todos nós, maquiadores, sempre buscamos esse tipo de técnica, que cria um véu sutil, uma transparência imperceptível que proporciona dimensão, estrutura e frescor imediato, sem que se perceba onde começa a pele e onde termina a maquiagem, para que ela proporcione uma aura de frescor e elegância atemporal”, comenta Álvarez.
Como dissemos, essa tendência aposta em um blush praticamente imperceptível, que dá um toque de cor muito natural às bochechas sem deixar uma camada evidente de maquiagem.
Em contraposição ao excesso de intensidade do blush blindness, a ideia é buscar tons nude, pêssego suave, rosas frios... Todos semelhantes ao rubor natural da pele e com nuances levemente frias.
“Trata-se de usar um blush neutro e de baixa saturação, que imita os pigmentos naturais da pele e proporciona um toque suave de cor que se funde à tez, deixando-a com uma aparência naturalmente saudável”, explica Sofia Tilbury à Vogue britânica.
Os blushes em creme são os mais recomendados pelos especialistas, mas também é possível conseguir o efeito com outras texturas. A vantagem da textura em creme é que ela se integra muito melhor à pele e deixa um acabamento mais fresco e hidratado.
Para conseguir esse resultado, o segredo está em usar uma pequena quantidade de blush e trabalhá-la bem, até que ela quase desapareça na pele. O ideal é aplicá-lo na parte superior das maçãs do rosto e esfumá-lo suavemente em direção às têmporas, cuidando para não deixar linhas marcadas nem manchas.
A ideia é fazer com que não seja possível perceber claramente onde o blush começa e onde ele desaparece.
O objetivo é dar ao rosto uma aparência fresca e saudável, mantendo um acabamento muito natural. Assim, o blush fica em segundo plano e permite destacar outras áreas, como os lábios ou os olhos, sem sobrecarregar o conjunto da maquiagem.