Você pode até não acreditar, mas a maioria das pessoas mente uma ou duas vezes por dia. E a má notícia é que nós conseguimos identificar apenas cerca de 50% dessas mentiras.
Afinal, fora da ficção, enganar os outros não é privilégio apenas de vilões clássicos como Nazaré Tedesco, de "Senhora do Destino", ou Carminha, de "Avenida Brasil". Ou mesmo de mocinhas, como o caso de Gerluce, protagonista da novela "Três Graças" que vem enganando o próprio namorado sobre o roubo da estátua que dá nome à novela.
A boa notícia é que isso abre muitas oportunidades para colocar em prática o que a Psicologia e especialistas no assunto, como detetives e investigadores, ensinam sobre como reconhecer um mentiroso. Confira, a seguir, quatro dicas para não cair em nenhuma conversa fiada!
O psicoterapeuta Dr. Jonathan Alpert e o consultor policial Rick Musson concordam que “é fundamental conhecer o comportamento habitual de uma pessoa para identificar com precisão quando algo foge do padrão”.
Foi assim que muitos personagens acabaram desmascarados nas novelas. Estudos indicam que microexpressões, inquietação e gestos incomuns podem revelar tentativas de engano.
Mentir também provoca reações fisiológicas, como aumento da frequência cardíaca, suor excessivo e alterações no tom ou no volume da voz. Sinais assim mostram que, diferente dos grandes manipuladores da TV, na vida real quase ninguém consegue esconder a verdade por muito tempo.
A comunicação não verbal varia muito conforme o contexto. Fatores sociais, culturais e a personalidade influenciam bastante. Desviar o olhar ao falar, por exemplo, nem sempre significa mentira.
Pode indicar ansiedade social, timidez, insegurança ou dificuldade de foco. Por isso, é essencial observar o conjunto dos sinais. Mudanças sutis no comportamento costumam ser mais reveladoras. Qualquer alteração fora do padrão pode apontar desconforto ou tentativa de engano.
Joshua Mason, psicólogo, detetive e ex-policial da SWAT, abordou o tema em um artigo no Medium. Segundo ele, pessoas sinceras costumam manter contato visual. Já outras “desviam o olhar quando estão mentindo”. O ponto central é perceber essa diferença de atitude.
O mesmo vale para a forma de falar. Voz baixa ou ritmo acelerado podem indicar nervosismo. Esses sinais sugerem pressa para encerrar o assunto e evitar questionamentos.
José Luis Martín Ovejero, especialista em detecção de mentiras e autor do livro “Minta para Mim... Se Tiver Coragem”, afirmou em uma palestra no TED que mentir não é simples para o cérebro. Segundo ele, a mentira “deixa pistas” tanto na linguagem quanto no comportamento.
Ao mentir, a mente precisa esconder a verdade e criar uma versão falsa dos fatos. Esse processo exige mais esforço do que relatar algo real. Por isso, deslizes são comuns. O detalhe mais revelador, porém, está na estrutura do discurso.
A mentira costuma ser excessivamente organizada. Não há falhas, nem esquecimentos. Tudo segue uma ordem impecável, quase como um relato minuto a minuto, algo raro quando se trata de uma lembrança verdadeira.
A psicóloga Ashley Hampton afirmou no programa “Oprah Daily” que os marcadores comportamentais costumam ser mais confiáveis que os físicos. Segundo ela, isso ocorre porque eles “dependem muito de inconsistências”.
Cada pessoa possui padrões automáticos de comportamento. Quando alguém diz a verdade e é coerente, essas atitudes tendem a se manter estáveis.
Por outro lado, a tentativa de mentir costuma alterar esse padrão. O comportamento natural muda e surgem contradições. A pessoa pode sorrir demais ou ficar séria de repente. Também pode piscar com frequência, mexer muito as mãos, coçar-se ou tocar no cabelo.
São reações que não aparecem em uma conversa comum e que podem indicar desconforto.
Ainda assim, é fundamental ter cautela. Esses sinais não são provas absolutas. Cada indivíduo reage de forma diferente. As pessoas mentem por vários motivos, seja no trabalho, na família ou nos relacionamentos.
Medo, vergonha ou interesse pessoal podem influenciar. Mesmo observando todas essas dicas, ninguém terá certeza total. A forma mais segura de chegar à verdade continua sendo fazer mais perguntas.
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