O que significa, segundo a psicologia, quando uma pessoa não quer abraçar nem ser abraçada?
Atualizado em 7 de fevereiro de 2026 às 20:51
Ter aversão ao contato físico pode esconder desde um apego inseguro até traumas da infância. Em alguns casos, esse comportamento também está ligado ao estilo de criação recebido ao longo da vida.
O que significa, segundo a psicologia, quando uma pessoa não quer abraçar nem ser abraçada? Nem todo mundo gosta de abraço: segundo a psicologia, a rejeição ao contato físico pode ter raízes emocionais profundas, que vão da infância à vida adulta Aversão ao toque vai além de preferência pessoal e pode estar ligada a baixa autoestima, ansiedade ou experiências traumáticas vividas ao longo da vida Para algumas pessoas, o abraço soa como invasão de espaço, despertando sensação de ameaça, vulnerabilidade ou até medo de germes O jeito como fomos criados importa: famílias pouco afetuosas fisicamente tendem a formar adultos que evitam abraços, apontam especialistas

De modo geral, o abraço é um símbolo de proximidade e afeto. Trata-se de uma demonstração física de vínculo e de uma forma clara de comunicação não verbal. Pesquisas mostram que o toque transmite emoções como simpatia, amor ou até desconforto, além de ser fundamental para o desenvolvimento da identidade corporal e psicológica das crianças. Ainda assim, há pessoas que sentem incômodo ou rejeição quando são tocadas - especialmente quando alguém tenta abraçá-las.

Segundo a psicologia, não gostar de abraços pode ir muito além de uma simples questão de preferência pessoal. Isso não significa, porém, que todas as pessoas que evitam contato físico se enquadrem necessariamente nos pontos a seguir. 

Em alguns casos, trata-se apenas de gosto pessoal. E, se houver sofrimento envolvido, é algo que pode ser trabalhado com acompanhamento psicológico, caso a própria pessoa deseje mudar.

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Estilo de criação

A psicóloga Suzanne Degges-White, em artigo publicado na Psychology Today, explica que a socialização na infância pode influenciar diretamente a relação com o toque na vida adulta. “Em famílias que não costumam demonstrar afeto fisicamente, as crianças tendem a crescer reproduzindo esse padrão”, afirma. 

Ou seja, quando o contato físico não faz parte da rotina afetiva, o adulto pode passar a evitar abraços como um comportamento aprendido.

Baixa autoestima

De acordo com Degges-White, pessoas mais abertas ao contato físico costumam ter níveis mais elevados de autoconfiança. Já aquelas com baixa autoestima podem hesitar em demonstrar afeto, inclusive com amigos próximos. 

Questões ligadas à imagem corporal e ao senso de identidade também influenciam esse bloqueio. Em casos mais intensos, o simples ato de ser abraçado pode gerar reações emocionais inesperadas, como choro.

Ansiedade e depressão

A rejeição ao toque pode estar associada a transtornos de saúde mental, como ansiedade, depressão ou transtorno de estresse pós-traumático. Segundo especialistas do portal Mundo Psicólogos, esse comportamento aparece com frequência em quadros de ansiedade social, nos quais a proximidade física gera sensação de ameaça ou desconforto extremo.

Traumas vividos

Experiências traumáticas, como abuso físico ou sexual, podem fazer com que a pessoa passe a evitar qualquer tipo de contato corporal, incluindo abraços. Em situações mais graves, isso pode evoluir para a hafefobia, que é o medo intenso de ser tocado.

Sensação de invasão do espaço pessoal

Para algumas pessoas, o abraço representa uma invasão de espaço. A proximidade pode provocar sensação de vulnerabilidade ou ameaça. Em certos casos, essa rejeição também pode estar ligada a uma aversão a germes, conhecida como misofobia, ainda que de forma leve.

Estilo de apego inseguro

Estudos indicam que os estilos de apego desenvolvidos na infância continuam influenciando o comportamento na vida adulta. A teoria do apego, criada por John Bowlby, aponta que bebês desenvolvem diferentes padrões de vínculo com base nos cuidados recebidos. 

Quando o afeto físico é escasso, pode surgir um apego inseguro, que gera uma associação negativa com o contato corporal. Na vida adulta, essas pessoas tendem a buscar independência emocional - e até física - nos relacionamentos.

Diferenças culturais

Também não dá para ignorar o fator cultural. Em muitos países asiáticos, por exemplo, abraçar pode ser visto como falta de educação. Na França, o hábito não é comum em público, e na Finlândia o contato físico costuma ser evitado, especialmente entre pessoas que não têm muita intimidade.

Em resumo, não gostar de abraços não é, por si só, um problema. O significado por trás desse comportamento depende da história, da cultura e da saúde emocional de cada pessoa.

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Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
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