A reprise de 'Além do Tempo' tem feito o público reviver uma das novelas mais elogiadas da dramaturgia da Globo.
Exibida originalmente em 2015 e escrita por Elizabeth Jhin, a trama marcou época ao apostar em uma narrativa pouco explorada na televisão brasileira: uma história dividida entre o século XIX e os dias atuais, mostrando como o destino e o amor atravessam gerações por meio da reencarnação.
A passagem do tempo, que transforma completamente a vida dos personagens, tornou-se a principal marca da novela e ajudou a consolidá-la como uma das produções mais sofisticadas da faixa das seis. Mas, para colocar essa ideia em prática, a equipe enfrentou grandes desafios nos bastidores. Confira algumas curiosidades.
Embora boa parte da novela tenha sido gravada nos Estúdios Globo — que, na época, ainda eram conhecidos como Projac —, a produção apostou fortemente em locações reais para aumentar o realismo da primeira fase.
A fictícia Campobello, onde se passa boa parte da história no século XIX, ganhou vida nas cidades históricas de Vassouras e Rio das Flores, no interior do Rio de Janeiro.
Os casarões preservados serviram como cenário perfeito para ambientar o mundo encantando de Felipe (Rafael Cardoso), Lívia (Alinne Moraes) e Melissa (Paolla Oliveira). Já no Rio Grande do Sul, as gravações passaram por São José dos Ausentes, Garibaldi, Bento Gonçalves e Pinto Bandeira.
A estrutura de 'Além do Tempo' chamou atenção desde a estreia. Em vez de utilizar apenas flashbacks ou saltos temporais, Elizabeth Jhin construiu praticamente duas novelas em uma só.
Na primeira fase, ambientada no século XIX, o público acompanha o romance impossível entre Lívia e Felipe, interrompido por tragédias e mortes.
Depois, a história renasce completamente nos dias atuais, especificamente em 2015, quando os mesmos personagens reaparecem reencarnados, mantendo ligações emocionais que atravessam vidas.
Nem tudo aconteceu como planejado durante a produção. Em outubro de 2015, enquanto gravava cenas em Porto Alegre, Alinne Moraes sofreu uma forte crise renal que exigiu seu afastamento temporário da novela.
Para evitar atrasos na exibição, alguns capítulos tiveram sua duração ampliada antes da grande transição temporal, enquanto a atriz se recuperava. Além disso, a produção contou com a participação da dublê Jaqueline Danttas, que gravou duas cenas no lugar de Alinne Moraes.
O cuidado com a ambientação também impressionou no departamento de figurino. Segundo informações publicadas pelo portal ADTV, a equipe confeccionou aproximadamente duas mil peças exclusivas para retratar a moda do século XIX.
O trabalho envolveu pesquisas históricas detalhadas para reproduzir vestidos, casacas, chapéus, acessórios e roupas utilizadas pelos diferentes grupos sociais apresentados na trama.
Ao todo, foram utilizados mais de 5,5 mil metros de tecido, número que evidencia a grandiosidade da produção