A psicologia afirma: pessoas que se desculpam diariamente por coisas que não são culpa delas podem não estar apenas sendo educadas, mas sim respondendo a mecanismos emocionais aprendidos durante a infância
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 19:13
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Você também pede desculpas por tudo? Entenda o que Brigitte (Tata Werneck) revela sobre quem assume culpas que não são suas.
Brigitte, personagem interpretada por Tata Werneck em 'Quem Ama Cuida',  frequentemente demonstra insegurança e parece carregar a sensação de que precisa pedir desculpas por tudo. A psicologia diz que as pessoas que ficam quietas nas conversas, em vez de lutarem para serem ouvidas, não são tímidas ou desinteressadas: elas têm um nível de profundidade que a maioria das pessoas já esqueceu como alcançar - foto ilustrativa de Tatá Werneck em cena como Brigitte de 'Quem Ama Cuida' Pesquisas sobre relações familiares e regulação emocional indicam que algumas pessoas crescem em ambientes nos quais precisam ficar constantemente atentas ao humor de quem está ao redor. A relação difícil com a mãe, Pilar (Isabel Teixeira), ajuda a explicar esse comportamento dentro da própria narrativa. Rejeitada durante boa parte da vida, Brigitte cresceu tentando encontrar aprovação e afeto onde nem sempre recebeu. A psicologia aponta que, em determinados casos, pedir desculpas constantemente pode estar relacionado a mecanismos emocionais aprendidos ainda na infância.

Você é daquelas pessoas que pedem desculpas por tudo? Às vezes, um simples 'desculpa' pode parecer apenas sinal de educação, mas, quando a palavra aparece o tempo inteiro pode existir algo mais profundo por trás desse comportamento. 

A psicologia aponta que, em determinados casos, pedir desculpas constantemente pode estar relacionado a mecanismos emocionais aprendidos ainda na infância.

Pedir desculpas faz parte da vida cotidiana. A expressão pode demonstrar educação, reconhecer um erro, amenizar um conflito ou mostrar consideração pelo outro

O problema aparece quando o pedido se torna automático e a pessoa começa a se desculpar por situações pelas quais não tem responsabilidade, como, por exemplo, por fazer uma pergunta, ocupar espaço, expressar uma opinião ou até mesmo simplesmente existir.

Pesquisas sobre relações familiares e regulação emocional indicam que algumas pessoas crescem em ambientes nos quais precisam ficar constantemente atentas ao humor de quem está ao redor. 

Em casas marcadas por tensão, raiva ou conflitos frequentes, a criança pode aprender a antecipar reações negativas e tentar evitá-las. Com o passar do tempo, esse comportamento pode ser incorporado à maneira como ela se relaciona com outras pessoas.

É justamente aí que entra Brigitte, personagem interpretada por Tata Werneck em 'Quem Ama Cuida'. Mesmo adulta, ela frequentemente demonstra insegurança e parece carregar a sensação de que precisa pedir desculpas por tudo. 

A relação difícil com a mãe, Pilar (Isabel Teixeira), ajuda a explicar esse comportamento dentro da própria narrativa. Rejeitada durante boa parte da vida, Brigitte cresceu tentando encontrar aprovação e afeto onde nem sempre recebeu.

Segundo especialistas em psicologia do desenvolvimento e trauma relacional, pedir desculpas em excesso pode funcionar como uma estratégia de enfrentamento. 

É aquela coisa: se a pessoa aprendeu que o humor dos outros pode mudar rapidamente e que qualquer atitude pode provocar uma reação desagradável, pedir desculpas antecipadamente passa a ser uma forma de tentar manter a situação sob controle.

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O excessivo pedido de deculpas

Um artigo publicado pelo 'Space Daily' aborda justamente esse tipo de comportamento e explica que algumas pessoas desenvolvem o hábito de se desculpar constantemente por terem aprendido, desde cedo, a assumir responsabilidade pelo estado emocional de quem está ao redor.

Nesses contextos, a raiva, o mau humor ou a tensão dentro de casa podem gerar insegurança. A criança passa a observar tom de voz, expressões faciais e pequenas mudanças de comportamento para descobrir se existe algum problema. Em vez de simplesmente viver suas experiências, ela começa a tentar prever o que os outros estão sentindo.

Esse mecanismo também é relacionado ao conceito de 'hipervigilância emocional', quando a pessoa permanece excessivamente atenta às reações e mudanças de humor ao seu redor. 

Publicações da 'Verywell Mind' destacam que indivíduos criados em ambientes emocionalmente instáveis podem desenvolver uma sensibilidade elevada às emoções alheias e assumir para si a tarefa de preservar a harmonia.

A psicóloga Harriet Lerner, conhecida por seus trabalhos sobre relacionamentos e comunicação emocional, também aborda em suas obras como pedidos de desculpas excessivos podem estar relacionados ao medo de rejeição e aos conflitos interpessoais. 

Nesse caso, dizer desculpa não significa necessariamente reconhecer uma culpa, mas tentar garantir que o outro não fique irritado ou não abandone a relação.

O mais importante de tudo é não transformar todo pedido de desculpas em diagnóstico. Pessoas podem se desculpar muito por educação, cultura, criação familiar ou simplesmente por um estilo de comunicação. O comportamento isolado não significa que alguém tenha vivido uma experiência traumática ou possua algum transtorno psicológico.

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Por Rafael Munhos | Novelas e TV
Jornalista apaixonado por novelas, filmes, séries e música eletrônica. Também adoro fazer corrida de rua.
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