A releitura de 'Dona Beja', que estreou em 2 de fevereiro, está dando o que falar. Pode-se dizer que a HBO MAX merece elogiospela impecável produção, assim como entregou uma novela de sucesso como 'Beleza Fatal', em 2025.
Readaptar uma releitura, quarenta anos depois da original, é um desafio por diversos motivos.
Não somente pela atuação marcante de Maitê Proença, mas a novela da extinta Manchete foi marcada por outro momento, que, devido as mudanças políticas e culturais no Brasil, como, questões ligadas a poder, sexualidade, raça, precisaram de reajustes.
A seguir, o Purepeople lista seis mudanças radicais que diferenciam a produção atual do clássico e ajudam a explicar por que 'Dona Beja' voltou ao centro das conversas. Confira!
É visível identificar já nos primeiros instantes o poder das mulheres na obra atual. Seja as cortesãs, seja as conversadoras, elas, independente dos seus objetivos, se unem para se defneder o machismo exagerado. Entre minhas cenas preferidas até agora, destaca-se quando Josefa (Thalma de Freitas) aponta uma arma contra um homem, e honrando sua dignidade.
Assim como muitas obras artísticas dos anos 1980, especialmente aquelas ambientadas no período da escravidão, 'Dona Beja' (1986) tratava a nudez e o erotismo a partir de um olhar essencialmente sexualizado, no qual o corpo feminino era frequentemente reduzido a objeto de desejo, dor e dominação.
Já a versão de 2026 propõe um deslocamento importante: a nudez permanece presente, mas assume um caráter artístico e narrativo, carregado de sensualidade e significado.
Em vez de servir apenas ao olhar masculino, o corpo da mulher passa a ocupar o centro da narrativa como expressão de poder, identidade e escolha, transformando o erotismo em linguagem e não mais em exploração.
A nova adaptação de 'Dona Beja' traz dois atores pretos como protagonistas da história: David Jr. e André Luiz Miranda. Em 1986, dois atores brancos encarnavam os amores de Beja: Gracindo Jr. (Antônio Sampaio) e Marcelo Picchi (João Carneiro).
Além disso, outros atores pretos ganham destaque, assim, como diversidade de gênero, como Pedro Fasanaro, ator não-binário, que interpreta Severina, mulher trans.
As novelas feitas no streaming têm conquistado o público por sua qualidade técnica, mas, o ritmo rápido condensado em poucos capítulos ajudam no processo. A novela da Manchete tinha 89 capítulos, enquanto a nova produção será exibida em 40 capítulos.
Em 1986, 'Dona Beja' buscava entreter com o escândalo e a sensualidade para gerar audiência na Manchete, enquanto a releitura de 2026 foca na força da personagem principal e de pessoas ligadas à ela.
Enquanto Ana Angélica (Bia Seidl) era uma verdadeira vilã, com camadas intensas de crueldades, a Angélica, de Bianca Bin, é mais humana. Embora cruel, a personagem é mais reprimida diante das convenções sociais da época.
player2