2025 marca o aniversário de 40 anos de “Roque Santeiro”, um dos maiores clássicos da história das novelas. Na trama, Lima Duarte deu vida ao fazendeiro todo-poderoso Sinhozinho Malta. O personagem ficou eternizado graças ao bordão: “tô certo ou tô errado?”. A frase icônica ainda vinha acompanhada de um chacoalhar de punho carregado com pulseiras de ouro.
O responsável pela criação foi o próprio Lima, como ele conta em um vídeo publicado no seu perfil do TikTok. “Ninguém me mandou fazer isso. Não estava escrito. Isso eu fiz, eu criei. Agora quando eu digo ‘tô certo ou tô errado?’, todo mundo diz: ‘saudade’”, alegra-se o veterano.
A ideia surgiu por conta de um problema técnico causado pela extravagância do personagem. “Eu falo muito com as mãos e o som era feito por baixo. O [microfone] boom não vinha por cima, cismaram de fazer por baixo, porque eu fazia muita cena sentado e falando, ficava melhor. O rapaz do som virou: ‘seu Lima, o senhor sacode muito a mão, tá fazendo barulho quando você fala’. Eu usava muito ouro, né? Era um bicheiro do sertão. Eu falei: ‘então incorpora isso’”, recorda.
Segundo Lima, o bordão mostrava o poderio financeiro do personagem. “Quando uma pessoa pergunta ‘tô certo ou tô errado?’ e sacode o ouro na tua cara, ah, você vai falar que ele tá certo”, explica.
“Roque Santeiro” foi idealizada por Dias Gomes em 1975 e 30 capítulos já haviam sido gravados. No entanto, a exibição foi barrada pelos censores da Ditadura Militar que assolou o Brasil de 1964 a 1985.
No livro “Janete Clair, a Usineira de Sonhos”, o jornalista Artur Xexéo conta que a novela foi barrada após o autor ser flagrado detonando os militares. Sem saber que o telefone do amigo estava grampeado, Dias telefonou para Nelson Werneck Sodré e contou que faria uma adaptação novelística da peça “O Berço do Herói”, censurada pelos militares na década anterior.
“Não tem mais o cabo. Assim passa. Esses militares são muito burros!”, disse Dias na ligação. Os militares ouviram tudo, ficaram ofendidos e impediram a novela de ir ao ar.
“Roque Santeiro” seria parte da comemoração dos 10 anos da TV Globo. Os censores argumentaram que a novela continha “ofensa à moral, à ordem pública e aos bons costumes, bem como achincalhe à Igreja”. A solução foi exibir uma reprise de “Selva de Pedra”, enquanto Janete Clair preparava às pressas um novo folhetim. Em novembro daquele ano, estreou “Pecado Capital”.
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