O fim de Alberto, personagem de Juca de Oliveira em 'Além do Tempo', é um dos momentos mais trágicos no encerramento da novela de Elizabeth Jhin.
Durante anos, o orgulho e o egoísmo do empresário foram responsáveis por manter Emília (Ana Beatriz Nogueira) e Vitória (Irene Ravache) afastadas. Uma mentira contada por ele no passado provocou uma ferida que atravessou boa parte da seunda fase, e só foi finalmente curada quando a verdade veio à tona.
Alberto fez Emília acreditar que a mãe não quis ficar com ela quando ainda era criança. Com isso, a executiva cresceu alimentando uma profunda raiva de Vitória, convencida de que havia sido rejeitada pela própria mãe.
Do outro lado, Vitória passou anos acreditando que a filha havia morrido ainda pequena. As duas sofreram separadas, sem imaginar que a distância entre elas havia sido construída artificialmente pelo próprio Alberto.
No desfecho da novela, Vitória finalmente revela a Emília que tudo não passou de uma armação do pai dela.
Inicialmente, a filha se recusa a acreditar na revelação, tamanha a força da mentira que carregou durante a vida. Mas um grave acidente de carro atinge Emília, que após um período em coma, reflete e consegue deixar a mágoa de lado e encontra forças para perdoar a mãe.
Vitória e Emília, enfim, conseguem reconstruir a relação que Alberto havia destruído. Para ele, porém, a redenção chega tarde demais.
No último capítulo, Alberto sobe com dificuldade a escada de casa para falar com Emília. Fragilizado, ele se desequilibra e sofre uma queda fatal. Vitória presencia o acidente e se desespera: “Alberto... Não, meu Deus... Não!!!”
Mesmo gravemente ferido, Alberto ainda encontra forças para revelar o que pretendia fazer. “Eu tomei coragem, Vitória... Queria pedir perdão a nossa filha, de joelhos...”, afirma ele, com a respiração ofegante e os batimentos cardíacos muito fracos.
Ele insiste no pedido para que Vitória transmita a Emília seu arrependimento. “Acabou pra mim. Diz a Emília que se Deus me permitir eu vou olhar por ela... Que eu a amo do meu jeito torto... Eu a amo muito. Fui egoísta demais... Fui um monstro, Vitória...”
É nesse momento que Alberto reconhece a dimensão do mal que causou:“Vitória, é a Emilia, não é? Ela veio me ver?... Ela me perdoou, Vitória...?”. A resposta da ex-mulher é justamente aquilo que ele mais precisava ouvir. “Perdoou... A nossa Mili te perdoou... Disse que te ama muito também... Vai em paz...”
Alberto então reage emocionado: “Eu não merecia... Que homem de sorte eu sou, meu amor, meu grande amor”.
Com a cabeça apoiada no colo de Vitória, Alberto morre. A cena fecha de forma dolorosa o ciclo de um personagem que passou boa parte da novela controlando a vida das duas mulheres por meio de uma mentira, mas que, no fim, reconhece os próprios erros.