Passar mais tempo em frente às telas pode trazer um benefício inesperado para as crianças, aponta estudo
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 17:03
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Segundo uma pesquisa realizada por duas universidades finlandesas, passar tanto tempo olhando para as telas também pode ter seu lado positivo
Passar mais tempo em frente às telas pode trazer um benefício inesperado para as crianças, aponta estudo Muitos adultos enxergarem os dispositivos eletrônicos com desconfiança Um estudo conduzido por pesquisadores na Finlândia observou que uma maior exposição às telas durante a infância estaria associada a um melhor processamento cognitivo na adolescência O estudo foi realizado com 260 jovens e revelou que os adolescentes que passaram mais tempo diante das telas desde a infância apresentaram tempos de reação melhores e maior precisão nos testes de memória Os pesquisadores ressaltam que nem todo tempo de tela é igual

Quantas vezes você já se preocupou com o tempo que uma criança passa diante da tela do celular?

A exposição à luz azul, o possível vício em redes sociais e o receio de que os aparelhos ocupem boa parte do tempo livre dos mais jovens são alguns dos motivos que fazem muitos adultos enxergarem os dispositivos eletrônicos com desconfiança.

No entanto, nem todas as notícias são ruins.

Mais tempo de tela, melhor desempenho cognitivo?

Um novo estudo conduzido por pesquisadores das universidades de Jyväskylä e da Finlândia Oriental, ambas na Finlândia, observou que uma maior exposição às telas durante a infância estaria associada a um melhor processamento cognitivo na adolescência.

A pesquisa faz parte do estudo PANIC, um projeto de acompanhamento realizado ao longo de oito anos para entender como a atividade física, o sedentarismo e o uso de telas influenciam o desenvolvimento das capacidades cognitivas durante a adolescência.

Desta vez, os pesquisadores trabalharam com 260 jovens — 124 meninas e 136 meninos —, cuja média de idade era de 15,8 anos. Para avaliar suas capacidades de aprendizagem, atenção e memória, eles recorreram a testes desenvolvidos pela Cogstate.

Os dados obtidos revelaram um resultado bastante surpreendente: os adolescentes que haviam passado mais tempo diante das telas desde a infância apresentaram tempos de reação melhores e maior precisão nos testes de memória.

Não foi só isso. Eles também demonstraram um processamento cognitivo mais eficiente do que aqueles que haviam passado menos tempo usando celulares. 

A descoberta pegou todos de surpresa, pois, durante anos, os mais velhos não se cansaram de repetir que os aparelhos fritariam nossos neurônios. Ao que parece, eles estavam enganados.

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Nem todo tempo de tela é igual

Há, porém, um detalhe: os pesquisadores ressaltam que nem todo tempo de tela é igual. Ler, fazer a lição de casa ou escrever no computador não é a mesma coisa que consumir vídeos de maneira passiva.

Essas diferenças, no entanto, não foram consideradas na pesquisa. Por isso, não é possível concluir que qualquer tipo de uso do celular tenha efeitos positivos sobre a cognição.

Ainda assim, atividades que exigem participação ativa, como ler, escrever, estudar com um tablet ou computador e jogar videogames, podem ser as responsáveis por essa melhora, segundo os especialistas.

A atividade física também exerce influência

O estudo também se concentrou em analisar a atividade física e sua possível relação com as capacidades cognitivas. Nesse caso, porém, os resultados variaram de acordo com o sexo dos participantes.

Entre as meninas, a combinação do uso ativo das telas com uma quantidade maior de atividade física leve durante a infância foi associada a um desempenho melhor nos testes de memória realizados na adolescência.

Entre os meninos, por outro lado, essa relação esteve ligada à prática mais frequente de atividades físicas supervisionadas, como aulas de educação física ou esportes realizados sob a orientação de um treinador.

É importante levar em consideração que os resultados mostram possíveis associações, mas não permitem afirmar com certeza que a atividade física provoque diretamente uma melhora cognitiva.

Além disso, as diferenças observadas entre meninos e meninas, assim como o tipo e a intensidade dos exercícios praticados, exigiriam novas pesquisas.

De qualquer forma, o estudo não propõe substituir os exercícios pelas telas, mas questiona a ideia de que qualquer exposição a dispositivos eletrônicos seja necessariamente prejudicial. A chave estaria em encontrar um equilíbrio.

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Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Palavras-chave
Bem-estar Lifestyle