Natacha Horana, ex-bailarina do Faustão, relatou os dias de terror que viveu durante os quatro meses em que passou presa, sob acusações de lavagem de dinheiro. No auge do sucesso da série “Tremembé”, que retrata o dia a dia em uma penitenciária feminina, a modelo afirma que chegou a ingerir comida estragada na cadeia.
“Comida estragada, fruta podre. É péssima a comida. Eles até têm cuidado para fazer, mas até a comida chegar, às vezes, tem trânsito. Chegava muita comida estragada. Às vezes, tem calor também. Toda misturada. Passar Natal comendo ovo podre”, lamentou, em entrevista ao podcast “PodShape”.
Natacha também expôs a superlotação da cela. “Medo, pânico. Pensei: eu posso morrer aqui. Chegando lá, você não dorme, não come, só chora, não pensa. Dividi a cela com 16 mulheres e só tinha lugar para oito. Colchão tinha uns quatro. Vai se virando, uma dorme, a outra fica acordada e vai revezando”, relembrou.
Segundo Natasha, no dia da prisão, ela foi levada por policiais sem maiores explicações. “Chegaram na minha casa e me prenderam. Falaram o porquê: lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ai eu perguntei por quê? Eles disseram: 'pergunta para o seu advogado'. É tão rápido as coisas. Eu falei: 'Deus do céu o que está acontecendo? A juíza tem que ver que está acontecendo alguma coisa de errado'. Eles não dizem nada e eu fiquei sem entender. Fui algemada igual bandida.”
Natacha foi presa em novembro do ano passado, suspeita de envolvimento com um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela namorou por três meses com um dos membros da cúpula da facção, mas garante que nunca se envolveu em atos ilícitos.
Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Norte, responsável pela denúncia, Natacha seria integrante de um grupo que movimentava valores por meio de contas bancárias de terceiros e recrutava outros indivíduos para realizar a lavagem de dinheiro do PCC. Ela foi acusada de movimentar R$ 15 milhões em dois meses.
Além de Natacha, mais 17 pessoas se tornaram rés na ação. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 2,2 bilhões em bens dos investigados e apreendeu quatro celulares, um notebook, duas câmeras fotográficas, dois relógios, um colar, um HD externo, diversos documentos, um carro de luxo e R$ 119.650 em dinheiro.
Natacha conseguiu habeas corpus em março e responde o processo em liberdade. Segundo a defesa, a Justiça reconheceu que não há indícios para vinculá-la à investigação, além da falta de motivos para a manutenção da prisão preventiva. "O processo seguirá seu curso e a defesa tem plena convicção que, ao final, ela será inocentada das imputações que lhe recaem", afirmaram advogados em nota.