Ivete Sangalo sofreu uma fratura no rosto após um desmaio dentro de casa. A cantora enfrentou um quadro de desidratação e, ao ser internada, foi diagnosticada com uma condição conhecida como síndrome vasovagal. No último domingo (01), a baiana passou por uma operação na face. Ela já recebeu alta e se recupera em casa.
Pode parecer um nome estranho, mas o fenômeno é mais comum do que se imagina. Segundo artigo que consta no National Library of Medicine (NLM), aproximadamente 35% das pessoas entre 35 e 60 anos de idade já tiveram pelo menos um episódio de síncope vasovagal.
“A síndrome vasovagal acontece quando o corpo reage de uma forma exagerada a algum estímulo, fazendo com que a pressão arterial e os batimentos cardíacos caiam rapidamente. Isso faz com que, por alguns segundos, chegue menos sangue ao cérebro. Resumidamente, é o sangue não conseguindo chegar no local que deveria”, explica o Dr. Tiago de Paula, neurologista especialista em Cefaleia.
O médico explica que diversos comportamentos vitais do corpo, como pressão arterial, respiração, movimentos do trato digestório e batimentos cardíacos, são controlados de forma automática pelo nervo vago. Ele ainda é responsável por reflexos como tosse, deglutição e vômito.
“Em algumas situações, esse nervo vago é ativado de forma intensa, provocando diminuição dos batimentos cardíacos, queda da pressão arterial, sensação de tontura, escurecimento de visão e até mesmo desmaio."
Entre as situações que podem ativar gatilhos, estão ficar em pé por muito tempo, calor excessivo, emoções fortes, como medo e intensidade, dores, jejum prolongado e desidratação. Já entre os possíveis sintomas que antecedem um desmaio, estão tontura, suor frio, náusea, palidez, visão turva e escurecida e sensação de fraqueza.
“Ao perceber que vai desmaiar, o ideal é deitar ou sentar rapidamente, se possível. Ao sentar, coloque a cabeça entre as pernas e procure respirar bem. Já se você conseguir deitar, elevar as pernas pode ajudar bastante. Também beba bastante água, repouse e mantenha a calma, pois a síndrome vasovagal não é algo grave”, recomenda o especialista.
Depois de um episódio de desmaio, o ideal é procurar um médico para indicar os exames mais adequados a se fazer, como eletrocardiograma ou holter, que podem confirmar ou descartar problemas cardíacos.
“O acompanhamento a longo prazo só é necessário se a suspeita de arritmia ou de algum outro problema cardíaco for confirmada. Ou então se há suspeita de alguma disautonomia secundária ou alguma doença neurodegenerativa, que também podem causar disautonomia. Vale ressaltar que pacientes com enxaqueca crônica também acabam tendo mais disautonomia do que os pacientes que não têm essa doença”, alerta o neurologista.