A trágica morte dos Mamonas Assassinas completa 30 anos nesta semana. No final da noite daquele 2 de março de 1996, um sábado, o jatinho que transportava os cinco componentes e outros quatro ocupantes arremeteu na hora do pouso, virou para o lado esquerdo da pista e se espatifou em um morro da Serra da Cantareira, em São Paulo, encerrando a trajetória meteórica de aproximadamente oito meses de sucesso.
Todos morreram na hora e os corpos, vários mutilados, precisaram ser içados de um helicóptero, uma vez que era impossível fazer o resgate por completo pelo chão. Passadas três décadas da fatalidade que chocou o Brasil, os corpos de Dinho, Bento, Júlio e dos irmãos Sérgio e Samuel foram exumados e cremados. Das cinzas virá uma espécie de adubo para plantio de cinco árvores, que ficarão em um cemitério de Guarulhos (SP), terra natal do quinteto.
De 1996 para cá, a vida e obra dos Mamonas Assassinas geraram dois filmes, um deles marcado por experiências sobrenaturais; um CD com músicas inéditas deixadas por Dinho e cia. também foi lançado; e um musical. Por outro lado, nenhum outro grupo com humor escrachado e fantasias de Chapolin Colorado, detentos e coelhos surgiu.
O que poucos lembram é que meses antes da tragédia encerrar a precoce carreira dos Mamonas, os meninos de Guarulhos foram vítimas da censura em uma série de rádios do Brasil. O jornal "O Globo" de 14 de janeiro informava que emissoras de Conselheiro Lafayette (MG) não podiam mais tocar "Pelados em Santos" e "Sabão Crá-Crá" entre outras após decisão da Justiça.
"Na prática, porém, só as rádios locais e os serviços de auto-falante obedecem à censura. Os sinais de TV que chegam a Conselheiro Lafayette são provenientes de Belo Horizonte e, portanto, não há como impedir a transmissão, por exemplo, de um show dos Mamonas", dizia o texto.
Pouco mais de um mês depois, em 20 de fevereiro, portanto menos de duas semanas antes da queda do jatinho PT-LSD, o mesmo jornal informava que o então presidente da Radiobrás Maurílio Ferreira Lima havia determinado que qualquer orientação sobre censura às músicas dos Mamonas fosse desconsiderada.
"Lembra que a Radiobrás não é órgão responsável pela censura e que, portanto, não cabe a ela censurar a divulgação de qualquer música nas emissoras", relatou a publicação. Segundo a matéria, a Rádio Nacional queria reformular a programação uma vez que as músicas dos Mamonas poderiam ser ouvidas em programas destinado a gêneros musicais diferente do quinteto.
Já a "Folha de S.Paulo" relatou que o diretor musical da Radiobrás Antônio Antunes Praxedes foi quem havia tomado a decisão de cortar as músicas do grupo por conta dos palavrões nas letras. Segundo o jornal, a neta do diretor, então com 7 anos, passou a repetir a palavra "suruba", presente em "Vira-Vira".
"A música dos Mamonas faz sucesso até entre nomes do primeiro escalão do governo FHC (Fernando Henrique Cardoso), como o ministro das Comunicações, Sérgio Motta (1940-1998), que diz ter aprendido a letra com o presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (1955-1998)", destacou.
"Agora, torço para que proíbam também nosso show em Brasília. Se isso acontecer, a gente vai vender mais uma 500 mil discos", reagiu Julio Rasec. Curiosamente, a cidade seria a última a receber os Mamonas em 2 de março no estádio Mané Garrincha (1933-1983).