Hytalo Santos está preso há mais de 3 meses na Paraíba sob acusação de tráfico humano, exploração sexual e produção e divulgação de pornografia infantil. Ele e o marido, Israel Vicente, foram detidos após o vídeo adultização, do também influenciador Felca, viralizar.
“Eu nunca cheguei a gravar vídeos com cenas pornográficas nem com cunho sexual. A gente só gravava a nossa rotina, com a cultura da periferia, que é da onde eu venho. Entre Recife e João Pessoa, o ritmo mais escutado hoje é o brega funk, que as coreografias usadas por alguns são vistas com esse olhar. Mas pra gente que é da periferia e da arte, não", defendeu-se em um depoimento a que o "Fantástico" teve acesso.
Segundo o influenciador, nenhuma criança menor de 12 anos morava com ele e o marido, mas assumiu que 4 adolescentes viviam na mansão do casal. “Na verdade, os pais sempre fizeram parte. Era uma via de mão dupla: eles passavam a maior parte do tempo comigo, mas iam para ver os pais também", explicou. E afirmou que dava dinheiro aos pais das crianças e adolescentes, mas não como forma de pagamento porque, segundo ele, não ganhava dinheiro com os vídeos.
“Eu vivia de publicidade. Eu tinha a minha rifa que era legalizada pela Loteria Estadual, eu recebia [por isso] entre R$ 400 e 600 mil", explicou.
Hytalo garantiu que os vídeos para ele eram naturais e que não via como algo pornográfico. O influencer frisou que antes de ser preso, foi orientado por uma promotora e seguiu à risca o que foi pedido. "Mudamos um passo de uma coreografia para não ter conotação sexual e, de 1 ano pra cá, todos os vídeos com as adolescentes foram removidos”, garantiu.
Segundo Hytalo, a relação que tinha com Kamylla, uma das adolescentes que morava com eles, era de pai e filha. "Paguei para ela botar silicone com 16 anos. Pela lei é permitido ou com a assinatura da mãe ou com a emancipação", justificou. Israel frisou: "Nossa relação [com os adolescentes] era familiar. Eu tenho pra alegar que lá atrás, quando a gente iniciou, não tínhamos dinheiro e Kamylla e o pessoal todo amava a dança. Hytalo dava aula de dança e eles viram nisso uma força de sair daquela vida de escassez, ajudar a família".
Quatro ex-funcionários, incluindo 2 PMs que trabalhavam como seguranças de Hytalo, afirmaram que nunca viram os vídeos gravados pelo influenciador como pornográficos, mas assumiram que tinham acesso restrito ao interior da mansão.
Acusado pelo Ministério Público do Trabalho de comandarem um lucrativo esquema de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e de submissão a trabalho em condições análogas a de escravo, com dezenas de vítimas, incluindo crianças e adolescentes, Hytalo chorou em seu depoimento: "Eu não vou estar livre nunca mais do que fizeram com a minha imagem".
"Onde eu chegar agora eu sou visto como um pedófilo, como um abusador, como uma pessoa pervertida", desabafou.