Alberto Soler, psicólogo infantil: 'O que chamamos de recompensas e punições são, na verdade, reforçadores e punições ruins'
Publicado em 21 de maio de 2026 às 11:02
Segundo um psicólogo especialista em educação infantil, o que conhecemos como recompensas e punições são, na verdade, reforços negativos
Alberto Soler, psicólogo infantil: 'O que chamamos de recompensas e punições são, na verdade, reforçadores e punições ruins' Eliana já assumiu ser uma mãe 'chata' Alberto Soler, psicólogo infantil: 'Educar sem recompensas nem castigos soa bem e vende livros, mas, como psicólogo, não posso dizer que seja possível educar assim' Veja como recompensar uma criança da maneira correta Há algo que acontece com as recompensas: elas interferem na motivação

Educar sem recompensas nem castigos soa bem e vende livros, mas, como psicólogo, não posso dizer que seja possível educar assim”. Quem afirma isso é Alberto Soler, psicólogo com mais de dez anos de experiência no tratamento de crianças e suas famílias

Ele concilia o atendimento clínico com seu trabalho de divulgador e escritor de livros como ‘Filhos e pais felizes’ ou ‘Crianças sem rótulos’.

É especialista em educação e, em uma palestra do "Aprendemos juntos 2030", afirmou que isso seria o mesmo que dizer que podemos educar sem ficar sérios ou sem sorrir, porque “um rosto sério, quando nossa filha ou nosso filho tem um comportamento inadequado, realmente funciona como um castigo. Um sorriso quando eles fazem algo que nos agrada funciona como um prêmio”, afirmou. Ou seja, criar sem castigos nem prêmios é impossível.

A primeira coisa que precisamos entender é que, em nível psicológico, tudo o que fazemos após um comportamento funciona como um reforço, aumentando a probabilidade de que ele se repita no futuro se for bom, ou diminuindo-a se for ruim. 

“O que popularmente conhecemos ou chamamos de recompensas e castigos são, na verdade, maus reforços e maus castigos”, explica. Basta usar a inteligência emocional em ambos os casos.

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Como recompensar uma criança da maneira correta

Há algo que acontece com as recompensas: elas interferem na motivação. Nós, seres humanos, recebemos motivação de duas formas: extrínseca e intrínseca. A primeira vem de fora (ganhar dinheiro, obter reconhecimento) e a segunda, de nós mesmos. 

A que nos interessa fomentar, tanto em crianças quanto em adultos, é a motivação intrínseca. Quando estamos intrinsecamente motivados, podemos agir de forma independente, sentimos que nossos esforços importam e obtemos satisfação ao adquirir mais habilidades, conforme explicam os especialistas da VeryWellMind.

Se quisermos recompensar uma criança usando a inteligência emocional, devemos seguir duas regras: não exagerar nas recompensas, pois elas são uma motivação externa e corremos o risco de tornar a criança mimada; e evitar “recompensar um comportamento que é motivado internamente”, porque “vamos matar a motivação intrínseca e condicioná-la a fatores externos”.

© Youtube, AprendemosJuntos

Na palestra, Soler dá um exemplo: imagine que amanhã você tem que ir ao dentista com sua filha e ela entra em pânico porque não gosta de ir. Para acalmá-la, você diz: “Olha, querida, quando sairmos do dentista, vamos à livraria que fica em frente e vou comprar o livro que você quiser”. 

A menina adora ler e aceita passar por um momento desagradável em troca do livro. Nesse caso, não há problema em prometer uma recompensa, pois você não está prejudicando a motivação intrínseca da sua filha, já que ela nunca gostou de ir ao dentista. 

Por outro lado, se, sabendo que sua filha gosta de ler, você decidir recompensá-la com dois euros por cada livro que ela ler, estará trocando a motivação intrínseca dela por uma extrínseca.

Melhor uma consequência lógica do que um castigo

As punições são muito piores do que as recompensas, entendendo-se as punições como ameaças e chantagens. De fato, Soler afirma que elas são “indesejáveis do ponto de vista ético, do ponto de vista moral, mas também do ponto de vista educacional”.

Punir não faz com que o comportamento melhore a médio e longo prazo e pode prejudicar o vínculo afetivo, mas podemos sim estabelecer uma consequência lógica. 

Segundo o especialista, ela deve ter quatro características: estar relacionada ao que a criança fez de errado, ser razoável e proporcional, termos dito a ela o que vai acontecer e ser respeitosa. Nada a ver com o conceito de punição que temos em mente.

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Palavras-chave
Bem-estar Saúde Lifestyle Famosos brasileiros
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