Sabe quando você está andando pela rua sem perceber o que acontece ao seu redor e alguém acaba esbarrando em você? E mesmo sem pensarmos direito, nós mesmos é que pedimos desculpas? Acontece que para um grupo de indivíduos, o ato de pedir desculpas em momentos do dia a dia se torna algo automático.
Tanto que essa reação vem mesmo quando quem pede desculpas não fez nada de errado. Nesse caso, podemos entender que houve uma insegurança ou receio de um conflito, porém precisamos ter a noção que pedir desculpas e assumir uma responsabilidade não são sinônimos.
Isso porque para a psicologia e os estudos a respeito da linguagem, o ato de se desculpar possui funções diferenciadas quando olhamos para uma situação de interação.
Há várias décadas se compreende que quando se pede desculpa a intenção é apaziguar aqueles conflitos pequenos que surgem nas relações de uma sociedade. Para entendermos melhor é importante nos voltarmos para os pensamentos do sociólogo Erving Goffman: para ele, essa atitude faz que seja conhecida que houve uma quebra em um relacionamento e a busca para ela regressar ao padrão normal.
É por isso que compreendemos quando alguém se desculpa ao ser esbarrado por uma segunda pessoa. Nesse caso, a "desculpa" se torna algo como "reconheço que acabou de acontecer algo desconfortável e quero seguir em frente sem conflito".
Já a dupla de psicólogos Steve Scher (Eastern Illionois University) e John Darley (Princeton University) se debruçaram a respeito do que faz um pedido de desculpa ter maior resultado. A dupla fez uma análise de itens que vão desde a responsabilidade assumida à promessa de alguma atitude a não ser repetida passando por um desejo de oferecer algo para reparar aquela situação.
Também se encontra nesse grupo o fato de expressar-se arrependido com aquele incômodo que levou ao pedido de desculpas. Os profissionais concluíram que esse conjunto de fatores gerava uma melhor avaliação de quem pedia desculpas e da própria atitude em si.
Concluímos que as desculpas (ou o perdão) não é apenas uma declaração de estar errado. Ela também arruma um determinado erro em relacionamentos.
Temos a noção de que esse processo se inicia lá quando somos crianças e os adultos nos ensinam o "por favor", o "obrigado" e a "desculpa". Assim, conforme vamos repetindo tais palavras ou expressões passam a entrar de forma automática em nosso cotidiano.
Mas não é por isso que quem é adulto hoje e pede desculpa de forma automática teve infância cheia de conflitos. Ou seja, a história em família de cada um não é reconstruída através de uma só palavra.
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É importante sabermos também que o pedido de desculpas e a forma como ele acontece mudam em diferentes aspectos em vários locais. Pesquisas apontaram que muda de sociedade para sociedade a maneira como alguém assume sua responsabilidade, explica o que houve naquela situação, apontam uma forma de contornar o episódio ou recorrem a maneiras explícitas para se desculparem.
Em 2025, 413 trabalhadores do Japão, China e Malásia foram envolvidos em pesquisa e se notou comportamentos e atitudes diferentes diante de caso que envolvia uma forma de se reparar algo. O que queremos dizer com isso? Que o "perdão automático" pode ter relação com normas sociais que são passadas em diferentes locais.
Pode ter ficado confuso, mas o que queremos dizer é que nossas características próprias também podem nos levar a pedir desculpas de maneiras diferentes. Por isso, a gente se vira para os estudos elaborados por Karina Schumann e Edward Orehek baseados na qualidade do pedido de desculpa e a maneira como nos apegamos quando adultos.
Nesses casos, a forma como se dá a desculpa fica menos completa e as respostas se tornam mais defensivas diante de um erro. Por outro lado, o inverso não recorre. Ou seja, se desculpar várias vezes não significa uma forma definida de apego.
O pedido de desculpa pode ser por costume, norma cultural, cortesia ou porque não quer brigar. Há ainda a possibilidade dessa pessoa ter sido ensinada assim há bastante tempo. Outra opção é tranquilizar uma situação incômoda sem que fique se achando culpado.
É dessa maneira que quando alguém que leva um esbarrão é quem pede desculpa acabamos tendo acesso a poucos detalhes da personalidade de quem solicita a desculpa. Não é fraqueza e nem que quando criança se foi obrigado a assumir responsabilidade afim de se evitar conflito na família.
Em várias situações, a "desculpa" instantânea não é assumir uma culpa e nem se mostrar inseguro: tão somente uma ferramenta social que se põe em prática frequentemente e de uma maneira mais rápida antes de refletirmos sobre quem, verdadeiramente, foi o culpado.