O Carnaval 2026 do Grupo Especial do Rio reúne homenagens a um eclético time de personalidades, incluindo Rita Lee (1947-2023) - veja aqui a ordem, os dias e os enredos das 12 agremiações. E no final da noite deste domingo (15), a Imperatriz Leopoldinense leva para a Sapucaí um tributo a Ney Matogrosso (84 anos) em "Camaleônico", para erguer mais um campeonato, o 10º, o que não ocorre desde 2023.
Com Iza mais uma vez à frente da bateria, a verde e branca de Ramos promete no enredo de Leandro Vieira uma visita aos diferentes momentos da carreira do cantor e compositor dono de álbuns como "Bandido" (1976). E que na juventude serviu às Forças Armadas, mais precisamente à Aeronáutica, para se livrar de conflitos em casa, como relatou na biografia "Vira-lata de Raça".
"A Aeronáutica foi uma carta de alforria, pois não aguentava mais ficar com minha família, num ambiente em que, aos 17 anos, ainda era obrigado a aceitar a imposição de castigos", relatou o artista, homenageado com um quadro que desapareceu e jamais apareceu. "A forma que encontrei para estabelecer a paz, me afastar da minha família e seguir com minha vida", prosseguiu.
O intérprete de "Homem com 'H'" recordou um desses conflitos, motivada por abastecimento de caixa d'água. "A discussão começou porque meu irmão mais novo, implicante, resolveu me mandar fechar uma torneira sob a acusação de gastar muita água. Meu pai ouviu aquela discussão e foi logo ordenando: 'Fecha essa torneira!'. Respondi que eu enchia a caixa, inclusive para ele usar, portanto tinha direito de usar a água da forma que quisesse. (...). A briga ficou violenta, apanhei de meu pai", recordou Ney Matogrosso.
Para ele, sua passagem pelas Forças Armadas impediu a separação dos pais. "Se eu ficasse lá (na casa deles), com meu pai e minha mãe, eles iriam acabar se separando. Minha mãe queria me defender, apesar de sempre ter ficado ao lado do meu pai, no fim das contas"
O alistamento veio pelo Mato Grosso, mas logo surgiu a transferência para o Galeão, onde ficou por dois anos. "Servi na polícia, andava armado com um Colt 45, fui obrigado a aprender a atirar (...). O alistamento foi uma experiência importante na minha formação, aprendi a conquistar meu espaço e a ser mais disciplinado", listou no livro.
"No quartel, fui obrigado a viver num mundo masculino, aprender a me defender. Cheguei a sair na porrada, por duas vezes, com um rapaz folgado, um abusado que roubava as minhas coisas", recordou o homenageado da Imperatriz.
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