Quando o assunto é cabelo, uma das maiores preocupações costuma ser a queda capilar. Diversos fatores podem contribuir para esse problema, como uma alimentação desequilibrada, alterações hormonais, estresse e até a predisposição genética.
Em entrevista à revista Woman, a tricologista Cristina Hoyos explicou que a queda de cabelo entre as mulheres tem aumentado nos últimos anos.
"A queda de cabelo feminina se tornou um dos motivos mais frequentes de consulta em dermatologia. Embora a alopecia tenha sido tradicionalmente associada aos homens, hoje sabemos que ela afeta um número cada vez maior de mulheres, com impactos não apenas estéticos, mas também emocionais", afirma.
A especialista, que acumula mais de 15 anos de experiência, observa que "o aumento dos casos está relacionado a diversos fatores. Os principais são o estresse crônico e as alterações hormonais, que têm ocorrido cada vez mais cedo.
No entanto, também entram nessa lista as dietas restritivas, o uso frequente de produtos e tratamentos capilares agressivos e, provavelmente, uma maior conscientização sobre o problema, que leva mais pessoas a procurar ajuda médica", explica Hoyos.
Além disso, a dermatologista destaca que o ambiente em que vivemos também contribui para esse cenário. "Estamos expostos a uma maior carga inflamatória, provocada por fatores como estresse oxidativo, poluição e alterações no sono, o que também afeta a saúde do folículo capilar", afirma.
O estresse crônico é um dos principais desencadeantes da queda temporária de cabelo, conhecida como eflúvio telógeno. Nesse caso, a queda costuma ser mais difusa e geralmente surge entre dois e três meses após um evento estressante.
Situações como excesso de trabalho, ansiedade prolongada ou falta de descanso alteram o ciclo de crescimento dos fios, fazendo com que um número maior de folículos entre na fase de queda.
Outro fator apontado pela especialista são as dietas muito restritivas em calorias, que podem provocar deficiência de ferro, zinco, vitaminas do complexo B e outros nutrientes essenciais para a produção de queratina.
Nesses casos, o organismo prioriza o uso desses nutrientes em órgãos e funções vitais, deixando o crescimento capilar em segundo plano, já que ele não é considerado indispensável.
Como consequência, pode surgir o chamado eflúvio telógeno agudo, além do risco de agravar um quadro pré-existente de alopecia androgenética.
As alterações hormonais provocadas pela gravidez, pelo pós-parto, pela síndrome dos ovários policísticos, por distúrbios da tireoide ou pela perimenopausa também podem desencadear a queda de cabelo.
No caso da alopecia androgenética feminina, existe ainda uma predisposição genética associada à sensibilidade dos folículos capilares aos hormônios andrógenos.
A especialista explica que, diferentemente do que ocorre nos homens, a perda de cabelo nas mulheres costuma se manifestar como uma redução progressiva da densidade dos fios na parte superior do couro cabeludo.
Além disso, penteados muito apertados, como rabos de cavalo, tranças bem tensionadas e o uso de extensões, podem causar a chamada alopecia por tração — um tipo de queda provocado pela tensão contínua nos fios que, quando persiste por muito tempo, pode se tornar irreversível.
A forma como o cabelo é tratado no dia a dia também faz diferença.
"O uso frequente de chapinhas, descolorações, alisamentos agressivos ou permanentes normalmente não provoca a queda do cabelo pela raiz, mas pode causar fragilidade, quebra e enfraquecimento da fibra capilar, dando a impressão de que os fios perderam volume", explica Cristina Hoyos.
É importante ter em mente que a queda de cabelo pode ter diferentes causas. Por isso, um diagnóstico profissional é fundamental para identificar a origem do problema e indicar o tratamento mais adequado para cada caso.
Segundo Cristina Hoyos, não existe uma solução única para todos os pacientes.
"O primeiro passo é identificar a causa. Para isso, podem ser necessários exames de sangue, incluindo a dosagem de ferritina, avaliação da função da tireoide e do perfil hormonal. A suplementação de ferro ou de outros micronutrientes só deve ser feita quando houver deficiência comprovada”, detalha.
“Em muitos casos, dependendo do diagnóstico, também pode ser necessário recorrer a medicamentos, como minoxidil ou antiandrógenos. No entanto, a automedicação nem sempre é eficaz e pode até ser prejudicial. Além disso, existem terapias complementares, como o plasma rico em plaquetas, a mesoterapia capilar e a laserterapia de baixa intensidade", explica a tricologista.
Embora o tratamento deva ser individualizado, algumas medidas podem contribuir para manter os fios mais saudáveis e bonitos:
- reduzir os níveis de estresse;
- melhorar a qualidade do sono;
- manter uma alimentação equilibrada, rica em ferro e proteínas;
- praticar atividade física regularmente;
- evitar penteados muito apertados e o uso excessivo de fontes de calor, como chapinhas e secadores, para preservar a saúde da fibra capilar.