A série 'Tremembé', sucesso do Prime Video, continua revelando histórias sombrias e perturbadoras por trás das grades do presídio mais conhecido do Brasil, desde casos mais conhecidos, como o de Suzane Von Richthofen, até alguns que o público não teve contato, como foi o de Terremoto.
Inspirada em casos reais, a produção mistura personagens reais e figuras baseadas em criminosos que chocaram o país. Entre eles está Raíssa, vivida pela atriz Débora Fernanda, cuja trajetória é inspirada em um dos crimes mais brutais já registrados no interior de São Paulo.
A personagem tem como base a história de Vanessa dos Santos Martins, condenada em 2007 pelo assassinato do próprio enteado, Alan David Andrade Garcia, de apenas cinco anos. O caso aconteceu na cidade de Penápolis (SP) e ganhou notoriedade local tanto pela violência e pelas reviravoltas que se seguiram após o crime.
Segundo os autos do processo, Vanessa, que em 'Tremembé' ganhou o nome de Raíssa, matou a criança com socos, chutes e golpes na cabeça, que resultaram em hemorragia interna e rompimento do baço. O episódio aconteceu enquanto o pai do menino, Vanderlei Garcia Alves, estava fora de casa, e a criança teve uma crise de choro.
Na época, a defesa de Vanessa alegou que ela estava sofrendo com depressão pós-parto, já que ela havia dado à luz recentemente. O choro do menino teria sido o gatilho para as agressões, mas a brutalidade do ato chocou até mesmo os investigadores. Após perceber a gravidade dos ferimentos, Vanessa ainda tentou socorrer o enteado e o levou ao hospital, mas Alan não resistiu.
Condenada a 28 anos e 8 meses de prisão, Vanessa foi transferida para o presídio de Tremembé, onde passou por uma transformação inesperada. No presídio dos famosos, ela se aproximou da religião e ajudou a fundar uma igreja dentro da penitenciária, onde virou uma espécie de pastora e conselheira para outras detentas - entre elas, Suzane von Richthofen, também retratada na série.
O que mais impressiona, porém, é o desfecho fora dos muros da prisão. Anos após o crime, Vanderlei, o pai da criança assassinada, declarou ter perdoado Vanessa. Convertido em pastor evangélico, ele afirmou acreditar que a esposa estava "possuída por Satanás" no momento do assassinato e, desta forma, não seria ela puramente quem tivesse cometido o crime.
O perdão foi além das palavras e o casal voltou a se relacionar. Em uma das saidinhas, eles se casaram novamente em uma igreja evangélica e tiveram ninguém menos que Suzane Von Richthofen como madrinha de casamento. Que reviravolta, hein?