A reprise de 'Além do Tempo', que estreia no dia 27 de abril na Faixa Especial da Globo no lugar de 'Terra Nostra' promete tocar o telespectador de uma forma mais profunda. Isso porque a novela escrita por Elizabeth Jhin carrega um diferencial cada vez mais raro na teledramaturgia: uma narrativa espírita.
Uma das inovações da autora em 2015, quando a trama foi lançada, foi mesclar duas linhas do tempo distantes, o que parece ser duas novelas em uma só. A história se divide em dois momentos separados por um salto de cerca de 150 anos.
Na primeira fase, ambientada no século XIX, acompanhamos conflitos intensos e características bem acentuadas dos personagens, como inveja, ciúme, possessividade, alegria, mágoa e muito mais.
Já na segunda fase, os mesmos personagens retornam com os mesmos atores, mas agora reencarnados nos dias atuais, trazendo consigo traços, sentimentos e até pendências do passado.
E é aí que mora o poder emocional da novela. Ao perceber que certas características permanecem, ainda que mais sutis, o público começa a se questionar sobre a própria natureza humana. Alguns personagens evoluem, outros apenas suavizam suas falhas, e há aqueles que parecem presos aos mesmos padrões.
Um exemplo marcante é Melissa, personagem de Paolla Oliveira. Na primeira fase, ela é movida por um ciúme obsessivo e uma necessidade de posse que a leva a atitudes extremas contra Lívia, vivida por Alinne Moraes, por causa do amor de Felipe, interpretado por Rafael Cardoso.
Já na segunda fase, Melissa reaparece mais contida, menos impulsiva, mas ainda carregando resquícios dessa personalidade. É como se o tempo não apagasse completamente quem somos.
Essa construção faz com que o telespectador não apenas acompanhe a história, mas se enxergue nela. Afinal, quem nunca se perguntou se certas atitudes são repetidas ao longo da vida?
Ou se carregamos, de alguma forma, marcas invisíveis de experiências passadas? Por essas e outras que 'Além do Tempo' marcou época e ainda bem que ganhará uma reprise à sua altura.
Com 161 capítulos na versão original - esperamos que a Globo evite cortes -, 'Além do Tempo' também ganha com seu time de talentos. Nomes como Irene Ravache, Ana Beatriz Nogueira, Felipe Camargo, Emílio Dantas, Nívea Maria, entre outros, ajudam a dar densidade à narrativa, tornando cada conflito ainda mais envolvente e humano.
Além disso, o sucesso de tramas com temática espiritual mostra que existe um público interessado nesse tipo de abordagem. Basta lembrar o fenômeno de 'A Viagem', que voltou a conquistar audiência em sua reprise em 2025.
Nesse contexto, 'Além do Tempo' surge como uma oportunidade de revisitar esse universo e, quem sabe, reacender o interesse da emissora por histórias que exploram o invisível.