Quem vê Taís Araújo em destaque como a Raquel de “Vale Tudo” pode não lembrar que sua primeira protagonista, em “Xica da Silva”, teve bastidores bastantes conturbados. Tudo isso porque a atriz não concordava com o modo com que a personagem era retratada.
Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, em maio de 1997, Taís se recusou a gravar uma cena que insinuava que Xica e João Fernandes (Victor Wagner) estavam fazendo sexo anal.
"Não que eu não concorde que Xica da Silva tenha sido sensual, mas ela foi, acima de tudo, uma mulher de atitude, inteligente. Para mim, aquela cena iria manchar a imagem de Xica", declarou Taís ao jornal.
Esse cenário levou a uma série de atritos com o diretor Walter Avancini. "As pessoas respeitam Xica da Silva por causa de sua inteligência, não pelo erotismo. Eu só quis defender a personagem", argumentou Taís.
Quem também discordou da postura de Taís foi Walcyr Carrasco. "Seria ingênuo pensar que uma mulher negra, no garimpo, atraísse o homem mais rico do momento sem passar pela cama", declarou o autor, que assinava a novela sob o pseudônimo de Adamo Angel.
Segundo o jornal, Walcyr acusou Taís de não ter sido "correta". Ele alega que a atriz estava ciente de que teria de fazer cenas sensuais. A recusa da iniciante fez o autor transformar o perfil da personagem. "Tirei a sensualidade e coloquei humor. Ela beijava o contratador de boca fechada, como em conto de fadas", conta.
Insatisfeita com o tratamento nos bastidores da Manchete, Taís nem esperou a novela acabar para começar a negociar um contrato com a TV Globo, já que o vínculo com a extinta emissora estava prestes a se encerrar. Dois meses antes do fim de “Xica da Silva”, a atriz estava cotada para fazer “Anjo Mau”, o que acabou se concretizando.
Ainda ao jornal Folha de São Paulo, Walter fez uma previsão nada certeira sobre o futuro da estrela na Globo. "Ela fez exatamente aquilo que eu não queria. Se negou a fazer uma Xica da Silva sensual, porque queria se mostrar para a Globo. Preferiu ser uma 'Maria Chiquinha' a ser uma Xica da Silva, feminista e revolucionária. Ela tem talento, mas na Globo vai ser coadjuvante."
Em recente entrevista ao jornal O Globo, Taís afirmou ter sido vítima de assédio moral por parte do diretor. “Minha mãe serviu como escudo. O fato de ela estar sempre ao meu lado me poupou do assédio sexual, mas não do moral. Com o Avancini, sofri muito”, lamenta.