A enxaqueca faz parte da rotina de milhões de brasileiros e também impacta a vida de famosas como Virgínia Fonseca e Paula Fernandes, que já falaram publicamente sobre os desafios provocados pela doença. Agora, uma novidade aprovada pela Anvisa promete ampliar as possibilidades de tratamento no país. Trata-se do rimegepanto, princípio ativo do Nurtec® ODT, um medicamento oral indicado tanto para o tratamento das crises quanto, em alguns casos, para a prevenção da enxaqueca episódica.
No início de 2026, em abril, Virgínia revelou que precisou adaptar seus treinos intensos por causa das fortes dores de cabeça. Segundo a influenciadora, alguns exercícios passaram por mudanças para evitar sobrecarga na região da cabeça e impedir o agravamento das crises. Pouco antes da Páscoa deste ano, ela também contou que estava proibida de consumir chocolate preto devido à condição.
Já a sertaneja nunca escondeu o sofrimento causado pela doença neurológica. Em entrevista ao jornalista André Piunti, a cantora desabafou sobre a intensidade das crises. "Eu cheguei no limite de ter dores de quase parar no pronto-socorro", afirmou a artista ao relatar sua convivência com a enxaqueca.
Segundo informações divulgadas sobre a aprovação da Anvisa, o rimegepanto foi autorizado para o tratamento agudo da enxaqueca com ou sem aura em adultos. Além disso, também poderá ser utilizado na prevenção da enxaqueca episódica em pacientes que apresentam pelo menos quatro crises por mês. A expectativa é que o medicamento esteja disponível em breve no mercado brasileiro.
De acordo com o neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em Cefaleia, membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), o medicamento representa uma novidade importante para os pacientes.
"O rimegepanto é um gepante oral, uma classe de medicamento que ainda não estava disponível por aqui. E representa uma mudança importante no tratamento da enxaqueca no país por se tratar de uma opção oral que pode ser utilizada no tratamento das crises, além de, em alguns casos, também integrar estratégias preventivas", explica o especialista.
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Segundo o Dr. Tiago de Paula, o medicamento atua bloqueando o CGRP, conhecido como peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, substância envolvida nos mecanismos de dor e inflamação associados à enxaqueca.
"Ao bloquear essa via, os gepantes atuam de forma mais específica no processo da crise, diferentemente de medicamentos tradicionalmente usados para aliviar as dores nos momentos de crise", afirma o neurologista.
O médico também destaca outro benefício importante para pacientes que costumam recorrer frequentemente a analgésicos e anti-inflamatórios. Segundo ele, o uso excessivo desses medicamentos pode acabar agravando o problema.
"Para tentar controlar as crises, muitas pessoas recorrem ao uso excessivo de medicamentos como analgésicos e anti-inflamatórios, o que, além de não contribuir para o tratamento, ainda piora o padrão da dor. Mas os gepantes não têm esse perfil de induzir cefaleia por uso excessivo, o que é um grande destaque. Eles podem auxiliar na retirada do uso excessivo de medicações de crise e ajudar o paciente a sair desse ciclo, o que é muito difícil", pontua.
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Apesar do entusiasmo com a chegada da nova opção terapêutica, o Dr. Tiago de Paula reforça que o medicamento não deve ser encarado como uma solução definitiva para todos os pacientes.
"Mas é uma medicação muito bem-vinda porque oferece uma alternativa para pacientes que não respondem bem aos tratamentos atuais, que têm contraindicações a algumas medicações ou que acabam usando remédios de crise em excesso", afirma.
O neurologista ainda destaca que já acompanha pacientes que utilizam o medicamento fora do Brasil e relata bons resultados. "É uma medicação que eu já uso há algum tempo em pacientes que moram fora do país, por exemplo. E a experiência é muito positiva, mas sempre como parte de uma estratégia bem conduzida de tratamento", explica.
Segundo o especialista, o rimegepanto pode ser associado a outras terapias e amplia as possibilidades de controle da doença, mas não substitui o acompanhamento médico.
"O rimegepanto amplia o arsenal terapêutico, mas não substitui uma avaliação médica cuidadosa. É importante lembrar que a enxaqueca é uma doença crônica, que não tem cura, mas tem controle. Com diagnóstico correto, acompanhamento especializado e uma estratégia individualizada, é possível reduzir a frequência e intensidade das crises e devolver qualidade de vida ao paciente", conclui o Dr. Tiago de Paula.