William Bonner apresentou o “Jornal Nacional” pela última vez nesta sexta-feira (31) e pôs fim a uma era que durou 29 anos. Em sua despedida, o âncora deu segmento à cobertura dos desdobramentos da megaoperação no Rio de Janeiro, que levou à morte de mais de 120 pessoas, anunciou a retomada de testes nucleares pelos Estados Unidos e tratou das execuções na guerra civil no Sudão.
Mas como era o mundo quando Bonner assumiu a bancada, em 01 de abril de 1996? Naquele dia, o “Jornal Nacional” abordou a prisão de banqueiros por desvio de dinheiro, um juíz que sofreu um ataque cardíaco no meio de um jogo, o plano de matança feito por ingleses para conter a doença da vaca louca, a iniciativa de um brasileiro que buscava fincar a bandeira do Brasil no Polo Norte magnético e o desempenho de Rubinho Barrichello na Fórmula 1.
Bonner assumiu a bancada oficialmente depois de ter sido substituto em algumas ocasiões, mesmo caso de César Tralli. A escolhida para dividir a responsabilidade foi Lillian Witte Fibe. Os dois ganharam a difícil missão de substituir Cid Moreira e Sérgio Chapelin.
Apesar de ter promovido diversas mudanças no quadro de jornalistas e apresentadores nos últimos anos, a saída do âncora não foi uma vontade da Globo. Prova disso é uma matéria publicada pelo portal UOL em fevereiro de 1998, quando Bonner tinha apenas 1 ano e 10 meses à frente do “Jornal Nacional”.
“Globo quer Bonner ‘para sempre’ no ‘JN’", dizia a manchete assinada pela colunista Cristina Padiglione. Naquela época, a emissora promovia uma “dança das cadeiras” em seus produtos jornalísticos e ele foi um dos três nomes que permaneceram em suas funções. A colunista afirmou que a vontade da direção da emissora era que Bonner ficasse no “Jornal Nacional” até se aposentar.
Vontade esta que não vai se concretizar. Bonner já manifestou publicamente que não tem planos de se aposentar. No ano que vem, ele estreia no “Globo Repórter” com Sandra Annenberg.
player2