A atriz Claudia Raia, de 59 anos, revelou na última terça-feira (23) que sofreu com a chamada síndrome musculoesquelética da menopausa, uma condição que causa dores e alterações em músculos, ossos e articulações devido à queda do estrogênio.
A declaração ocorreu durante a primeira edição do Iguatemi Talks Wellness, evento dedicado às discussões sobre saúde, bem-estar, longevidade e qualidade de vida que contou ainda com nomes como Felca, Manuela Cit e Thiago Vinhal.
Durante o painel Menopausa Sem Tabu: Novas Narrativas Sobre Corpo e Saúde, Claudia Raia contou que ficou chocada quando descobriu que as dores que vinha sentindo eram sintomas da menopausa.
“Eu fiquei boba, falei: 'Meu Deus do céu, é da menopausa, e ninguém me avisou'. Então, assim, é tratado como fibromialgia, é tratado com medicamentos fortíssimos, e não passa”, revelou a atriz, estrela de novelas como "Sassaricando" (1987) e "A Favorita" (2008).
Embora a menopausa conte com um espectro muito grande de sintomas que possam variar de mulher para mulher, a síndrome musculoesquelética é bastante comum no período, mesmo não sendo tão comentada quanto se deveria.
“O estrogênio tem função em praticamente todos os órgãos e tecidos do corpo e, a partir do momento que ele passa a faltar, vários sinais e sintomas podem aparecer nas mulheres”, revela o ginecologista Dr. Igor Padovesi, especialista em menopausa. “Os músculos e articulações também tem receptores de estrogênio e a falta de estrogênio pode levar a sintomas nesses órgãos.”.
Isso significa que articulações como as do joelhos, cotovelos e ombros podem sofrer as consequência dessa mudança corporal e ficarem mais inflamadas, causando dor nas regiões e favorecendo o surgimento de condições como artrite e artrose.
Segundo Dr. Marcos Cortelazo, ortopedista especialista em joelho e traumatologia esportiva, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), estratégias como o controle do peso, a prática de exercícios físicos e a adoção de uma alimentação mais saudável costumam ajudar a controlar esses sintomas.
Há, no entanto, outra importante medida que pode ser tomada.
“Em casos mais graves, em que a mulher já desenvolveu doenças como artrite e artrose, a consulta com o ortopedista também é importante para receber o tratamento adequado, reduzindo as dores e melhorando a qualidade de vida da paciente”, explica o médico.
O Dr. Igor Padovesi chama atenção ainda para a chamada síndrome do ombro congelado, uma das condições mais comuns na menopausa devido à queda do estrogênio.
Essa síndrome, que causa uma dor severa, além de rigidez na região do ombro, costuma ser confundida com tendinite, bursite e outras questões articulares, principalmente em idades mais avançadas.
“É difícil fazer esse diagnóstico preciso. Basicamente, o diagnóstico é confirmado quando não existe nenhuma outra causa identificada e a mulher melhora do sintoma com a reposição hormonal”, esclarece o especialista.