Mulher de Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro segue internada no Hospital DF Star, na capital federal, para tratamento de enxaqueca refratária, que vem tratando há algumas semanas. Aos 44 anos, a candidata ao Senado pelo Distrito Federal não tem previsão de alta, segundo informou a unidade nesta terça-feira (22).
"O Hospital DF Star informa que a Sra. Michelle Bolsonaro deu entrada na data de hoje com quadro de enxaqueca refratária ao tratamento clínico ambulatorial iniciado há dois meses. No momento, encontra-se em tratamento clínico especializado, sem previsão de alta hospitalar", informou boletim médico. No mês passado e às vésperas do PL realizar a convenção para o lançamento da candidatura de Michelle, a ex-primeira dama já tinha sido internada pelo mesmo motivo, sendo submetida a um "bloqueio anestésico dos nervos cranianos e pericranianos".
A nova internação da candidata joga luz a respeito desse problema de saúde que atinge aproximadamente um bilhão de pessoas no mundo (lembrando que somos uns 8,3 bilhões). E se você pensa que a enxaqueca provoca apenas dor de cabeça está enganado. "A enxaqueca impacta a vida das pessoas em diversos aspectos. Além da dor latejante, o paciente fica mais sensível à luz, aos sons e ao barulho, sofre com náuseas e tontura e tem uma piora no sono, na atenção e na memória", enumera o neurologista especialista em cefaleia dr. Thiago de Paula.
E porque a enxaqueca comumente é mais comum em mulheres? "Existe também uma questão hormonal. Hormônios como o estrogênio influenciam na sensibilidade e prevalência dos sintomas. Por isso, é mais comum em mulheres", explica o profissional apontando que aproximadamente 180 locais no código genético favorecem ao desenvolvimento da doença.
E não é só isso. "Uma pessoa que tem uma vida muito intensa, está sempre exposta a estímulos, sofre com grande estresse e não dorme direto tende a sofrer com crises mais frequentes e mais graves", indica o dr. Tiago. A atudo isso a alimentação também tem seu grau de contribuição.
"Principalmente aqueles alimentos que deixam o cérebro mais acelerado, pois trata-se de uma doença relacionada à hiperexcitabilidade cerebral. Por isso, é recomendado evitar estimulantes, como café, chocolate e energéticos, e termogênicos, incluindo gengibre e pimenta vermelha, por exemplo", lista.
Por tudo isso, os medicamentos acabam não surgindo efeito. "Pelo contrário. Os remédios para crises são cronificadores da enxaqueca. Esses medicamentos não tratam a doença de forma efetiva e, quanto mais remédios você toma, menos eles funcionam e mais dor você sente. É um quadro conhecido como cefaleia por uso excessivo de medicamentos. Além disso, esses remédios podem prejudicar a eficácia dos tratamentos de primeira linha", adverte.
Dessa forma, é recomendável alterar a alimentação e recorrer a nutricionistas e psicólogos, além de tratamento a base, por exemplo, de toxina botulínica, injetada em pontos nervosos específicos. "Para reduzir a sensibilidade do cérebro a dor, ajudando, assim, no controle da enxaqueca", explica, lembrando que a enxaqueca crônica não tem cura, contudo pode ser controlada, uma vez que gatilhos e fatores crônicos podem ser identificados por especialistas.
No tratamento pode-se recorrer aos Anti-CGRP, medicamentos monoclonais. "Eles bloqueiam o efeito do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), que contribui para a inflamação e transmissão de dor e está presente em maiores níveis em pacientes com enxaqueca", aponta, acrescentando a respeito da fisioterapia com dispositivo de neuroestimulação. "Ela promove uma estimulação elétrica transcutânea do nervo trigêmeo, diminuindo a transmissão de sinais de dor e reduzindo a excitabilidade cerebral, o que contribui para a redução da intensidade e da frequência das crises", conclui.