Há anos, Virgínia Fonseca compartilha em suas redes sociais a luta contra a enxaqueca crônica. A influenciadora já passou por diversos tratamentos para a doença e, na noite da última terça-feira (22), voltou a comentar sobre o assunto e lamentar uma nova crise.
"Hoje me deu crise de enxaqueca. Fazia tempo que eu não tinha essa crise, mas é porque o meu tratamento está atrasado. Era para eu ter voltado lá na doutora no início de setembro. Vocês voltaram? Eu não voltei também, não... a gente vai esquecendo, né? Esse é o problema do ser humano. Eu não estava sentindo nada, até que a crise veio", lamentou.
Em seguida, Virgínia, que virou assunto na imprensa internacional sobre um suposto noivado com Vini Jr., comentou que irá fazer um procedimento para conter os efeitos da crise. A influenciadora ainda contou que tentou manter a rotina de exercícios físicos, mas precisou lidar com a intensidade da dor e brincou: "Deus, sou muito nova para o Senhor me levar, viu?".
O neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em Cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP), membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), explica que Virgínia apresenta um quadro grave de enxaqueca crônica.
Segundo o especialista, que faz parte da equipe responsável pelo atendimento da influenciadora, o intervalo maior entre os tratamentos pode comprometer o controle da enxaqueca: "Temos que entender que essa é uma doença crônica, genética, que precisa de um cronograma de tratamentos para que o paciente tenha realmente de volta sua qualidade de vida", explica o neurologista.
Entre as estratégias utilizadas em pacientes com enxaqueca crônica está a aplicação de toxina botulínica. O tratamento também pode envolver medicamentos monoclonais Anti-CGRP, de acordo com a avaliação médica.
O Dr. Tiago explica que a chamada neuromodulação é parte importante desse processo, já que ela ajuda a reduzir a tendência do cérebro a desencadear episódios de dor, especialmente em pessoas que convivem com crises frequentes.
"É basicamente isso. A gente está desfazendo um caminho da dor que o cérebro aprendeu a fazer, principalmente no paciente crônico. No tratamento, que visa a neuromodulação, tanto com a toxina botulínica quanto medicamentos monoclonais Anti-CGRP, o objetivo é ensinar o cérebro a não causar mais dor", explica o médico.
Por isso, segundo ele, atrasar ou interromper o tratamento pode fazer com que parte do controle conquistado seja perdida: "Quando espaçamos ou interrompemos o tratamento, começamos a perder essa neuromodulação e o paciente, invariavelmente, começa a piorar das dores. E perdemos a melhora progressiva", destaca o Dr. Tiago de Paula.
O especialista completa: "Toda vez que o paciente segue o tratamento, ele fica melhor nos outros três meses. Quando ele não faz isso, ele perde essa melhora. E ainda há piora das dores".
A dor de cabeça é apenas uma das manifestações da enxaqueca. De acordo com o especialista, pacientes também podem apresentar maior sensibilidade a estímulos e alterações que afetam diferentes áreas da rotina.
"Além da dor latejante, o paciente fica mais sensível à luz, aos sons e ao barulho, sofre com náuseas e tontura e tem uma piora no sono, na atenção e na memória. Existe também uma questão hormonal. Hormônios como o estrogênio influenciam na sensibilidade e prevalência dos sintomas. Por isso, é mais comum em mulheres", explica.
O médico também chama atenção para os chamados fatores epigenéticos, relacionados às condições ambientais e aos hábitos aos quais a pessoa está exposta. Rotinas muito intensas, estresse elevado e sono inadequado podem contribuir para uma maior frequência das crises.
Além do estresse e da qualidade do sono, a alimentação é outro aspecto considerado no acompanhamento da enxaqueca: "Pode favorecer uma piora da enxaqueca, principalmente aqueles alimentos que deixam o cérebro mais acelerado, pois trata-se de uma doença relacionada à hiperexcitabilidade cerebral. Por isso, é recomendado evitar estimulantes, como café, chocolate e energéticos, e termogênicos, incluindo gengibre e pimenta vermelha, por exemplo", detalha o médico.
O acompanhamento pode envolver mudanças no estilo de vida e cuidados com alimentação, sono e outros fatores que contribuem para as crises. Também podem ser utilizados tratamentos específicos para reduzir a frequência e a intensidade da dor.
"A abordagem global e integrada no tratamento visa atuar em todos os aspectos da doença para promover melhora rápida e devolver qualidade de vida ao paciente. Além de mudanças na alimentação e no estilo de vida acompanhadas por nutricionistas e psicólogos, utilizamos tratamentos de primeira linha com evidência cientifica para a condição, como a toxina botulínica, que é aplicada em pontos nervosos específicos para reduzir a sensibilidade do cérebro a dor, ajudando, assim, no controle da enxaqueca", diz o especialista.