Estudo com monges budistas prova que meditação não só acalma, como também altera o cérebro. Entenda!
Publicado em 29 de maio de 2026 às 13:02
Por Maria Luisa Pimenta | Bem-estar, TV e entretenimento
Apaixonada por livros, séries e restaurantes com comida diferente. Libriana e curiosa, poderia passar horas pesquisando sobre os mais diferentes assuntos.
Meditar ajuda a deixar o cérebro mais complexo e ativo através de uma mudança de dinâmicas neurais
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Você já pensou em fazer meditação? Essa é uma prática muito conhecida por trazer mais relaxamento, ideal para quem busca esvaziar totalmente a mente e aprimorar o foco. O que muita gente não sabe é que essa prática vai além de nos deixar mais leves. Na verdade, enquanto estamos calminhos, cérebro está em grande movimento!

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Montreal e do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália reuniu 12 monges budistas de tradição tailandesa que vivem em Santacittārāma, um mosteiro nos arredores de Roma. Todos eles fazem parte da escola mais antiga do budismo ainda existente. Durante a pesquisa, os cientistas observaram como a atividade cerebral dos participantes se comporta durante a meditação através da técnica da magnetoencefalografia (MEG), que registra os sinais elétricos do cérebro. 

Tipos de meditação

Antes de tudo, é importante entender que, para este estudo, foram levados em conta as duas formas clássicas de meditação. A Samatha é focada na atenção sustentada em um objeto específico (que pode ser a própria respiração), com o objetivo de alcançar um estado profundo de concentração, calma e estabilização da mente. Já a Vipassana é uma técnica mais voltada para a observação atenta das sensações, emoções e pensamentos enquanto eles surgem no presente, com o intuito de desenvolver uma compreensão mais pronfunda da mente. 

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Karim Jerbi, professor de Psicologia da Universidade de Montreal e um dos autores do estudo explica como isso funciona. "Com a Samantha, o campo de atenção se estreita, como reduzir o feixe de uma lanterna. Com a Vipassana, por outro lado, o feixe se alarga. Ambas as práticas envolvem ativamente os mecanismos da atenção. Embora a Vipassana seja mais desafiadora para iniciantes, em programas de mindfulness ambas as técnicas são frequentemente praticadas alternadamente", escalere.

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Estudo de meditação com monges budistas

A antiga prática da meditação foi analisada com tecnologia de ponta neste estudo, algo que foi classificado como uma "combinação única" pelos pesquisadores. "Nos permitiu documentar com precisão sem precedentes o que acontece no cérebro durante a meditação e lançar nova luz sobre uma tradição milenar", disse Jerbi.

Na análise, os pesquisadores registraram alguns indicadores da dinâmica cerebral e observaram oscilações neuronais, medidas de complexidade do sinal e parâmetros relacionados à chamada "criticidade", um conceito que descreve sistemas que operam na fronteira entre a ordem e o caos (sendo considerada uma condição ideal para o processamento de informações).

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Em comunicado à imprensa, Jerbi esclareceu o que isso significa na prática. “Um cérebro que carece de flexibilidade se adapta mal, enquanto o excesso de caos pode levar a disfunções, como na epilepsia. No ponto crítico, as redes neurais são estáveis ​​o suficiente para transmitir informações de forma confiável, mas flexíveis o bastante para se adaptarem rapidamente a novas situações. Esse equilíbrio otimiza as capacidades de processamento, aprendizado e resposta do cérebro", afirma.

Durante o experimento, os monges ficavam se alternando em períodos de repouso com blocos de meditação (realizando os dois tipos). Enquanto isso, o sistema MEG observava como estava sua atividade cerebral. A partir de ferramentas avançadas, foi possível entender a complexidade e a dinâmica dos neurônios em cada tipo de meditação. 

A meditação altera a mente 


Ao final da pesquisa, que foi publicada na revista Neuroscience of Consciousness, descobriu-se que as duas formas de meditação aumentam bastante a complexidade dos sinais cerebrais, se comparadas com a atividade do cérebro em repouso. Ou seja: durante a meditação, o cérebro não fica calmo e passivo, pelo contrário! O que acontece é uma grande dinamicidade e movimentação interna.

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Lembra da criticidade? Foi descoberto que acontece um desvio dela em cada tipo de meditação. As duas práticas (Samatha e Vipassana) aumentam a complexidade do cérebro, mas fazem isso de maneiras diferentes. Enquanto a Samatha evoca um estado mais estável e focado, a Vipassana aproxima o praticante do ponto crítico. Em outras palavras: uma está mais perto da ordem e a outra, do caos.

Como a meditação funciona na prática? 

Quanto mais o cérebro se aproxima do estado crítico, mais ele se torna mais eficiente e flexível. Na prática, isso influencia em maior capacidade de realizar atividades como alternar tarefas ou até mesmo guardar informações. 

O estudo também aponta que a prática da meditação é associada a modulações nas oscilações neuronais e traz benefícios para corpo e mente. "Como a meditação é um estado ativo que envolve processos atencionais, ela afeta vários aspectos da função cerebral, levando a uma melhoria do bem-estar e a uma redução do estresse e dos sintomas de ansiedade e depressão", afirmou Jerbi.

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