Há sucessos que se constroem ao longo de várias semanas. E há aqueles que conquistam o público logo de cara. “Ataque Brutal”, lançado em abril na Netflix, é um desses filmes que claramente pertencem ao segundo caso.
Estrelado por Phoebe Dynevor, o thriller de desastre registrou uma estreia espetacular: 37,7 milhões de visualizações em apenas três dias, um resultado que o coloca entre os filmes com as melhores estreias da história recente da plataforma..
Mais impressionante ainda: poucos dias após o lançamento, o longa alcançou o primeiro lugar no ranking da Netflix em 91 países. O desempenho reforça, mais uma vez, o apetite dos assinantes por filmes de conceito marcante, mesmo quando a recepção da crítica não acompanha o entusiasmo do público.
A história por trás de “Ataque Brutal” é quase tão surpreendente quanto seu sucesso. Originalmente, o longa dirigido por Tommy Wirkola (“Noite Infeliz” e “Zumbis na Neve”) seria lançado nos cinemas pela Sony Pictures. No entanto, o estúdio decidiu vender os direitos para a Netflix antes da estreia — uma decisão que hoje talvez provoque algum arrependimento.
A premissa é simples, mas bastante eficiente. Uma pequena cidade litorânea é devastada por um furacão de categoria 5. Enquanto as ruas ficam completamente alagadas, surge uma nova ameaça: tubarões famintos invadem as áreas inundadas. Em meio ao caos, Lisa, personagem de Phoebe Dynevor (“Bridgerton”), tenta sobreviver enquanto enfrenta a gravidez. O elenco também conta com Whitney Peak e Djimon Hounsou.
A combinação de desastre natural, sobrevivência e criaturas assassinas remete imediatamente a filmes como “Predadores Assassinos (Crawl)”, “Tubarão” e, mais recentemente, “Sob as Águas do Sena”, outro sucesso inesperado da Netflix. E, ao que tudo indica, essa fórmula continua conquistando o público.
É justamente aí que “Ataque Brutal” se torna um caso curioso. Apesar dos números impressionantes, a recepção da crítica e do público está longe de ser positiva.
No Rotten Tomatoes, o longa acumula apenas 45% de aprovação das crítica e 24% dos espectadores. As principais críticas apontam um roteiro bastante convencional, personagens considerados caricatos e uma história que pouco faz para reinventar o gênero.
Ainda assim, a Netflix parece ter entendido perfeitamente uma das regras mais importantes da era do streaming: um filme não precisa ser unanimidade para se transformar em um fenômeno. Às vezes, basta ter um conceito fácil de entender, uma duração enxuta e uma proposta clara: suspense, ação e entretenimento.
Com apenas 1h23 de duração, “Ataque Brutal” reúne exatamente essas características.
Diante de números tão expressivos, é difícil não pensar em uma continuação. Até o momento, a Netflix não anunciou oficialmente uma sequência, mas o potencial é evidente.
O produtor Adam McKay já deu a entender que a ideia de construir um universo em torno do desequilíbrio da natureza abre espaço para diversas possibilidades narrativas — uma declaração que certamente deve alimentar as especulações entre os fãs.
Afinal, os tubarões nunca deixaram de fascinar o público. E, pelos números de “Ataque Brutal”, eles também parecem estar longe de parar de quebrar recordes na Netflix.