Cecília Meireles, poeta brasileira, sobre a passagem do tempo: ‘Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil. Em que espelho ficou perdida a minha face?’
Publicado em 7 de novembro de 2026 às 08:08
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Por Paula Alves | Redatora Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar. Escreve sobre TV, streaming, comportamento, moda e beleza.
Nos 125 anos de seu nascimento, os versos de ‘Retrato’ ganham novos significados à luz de uma entrevista em que a escritora relembrou a menina que foi
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Cecília Meireles completaria 125 anos neste sábado, 7 de novembro de 2026. Nascida no Rio de Janeiro em 1901, ela foi uma das grandes poetas da língua portuguesa e trabalhou como professora, jornalista e tradutora.

Entre seus livros mais conhecidos estão “Romanceiro da Inconfidência”, que conta em versos a história da Inconfidência Mineira, “Ou Isto ou Aquilo”, voltado ao público infantil, e “Viagem”, que reúne poemas como “Motivo” e “Retrato”. 

É em “Retrato”, inclusive, que Cecília traz uma de suas reflexões mais marcantes: a passagem do tempo a partir do estranhamento de quem se olha no espelho e já não reconhece o rosto de antes.

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O rosto no espelho

“Retrato” faz parte de “Viagem”, livro premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1938 e publicado no ano seguinte. 

Ao longo do poema, a voz que fala percebe mudanças no rosto, nas mãos e até no jeito de mostrar o que sente. A última estrofe termina com uma pergunta:

“Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?”

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A mudança aconteceu aos poucos, mas só parece ficar evidente diante do espelho. A pergunta final dá a impressão de que o rosto de antes ficou para trás, em algum lugar.

Décadas depois de publicar o poema, no entanto, Cecília falou em uma entrevista sobre algo da infância que ainda reconhecia em si: seu jeito de olhar o mundo.

A menina que Cecília ainda reconhecia

Em maio de 1964, aos 62 anos, Cecília contou a Pedro Bloch, em entrevista à revista Manchete, que, quando pequena, se encantava com as cores de um tapete persa e imaginava florestas nos veios da madeira.

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“Olhando para trás me sinto uma criança extremamente poética”, disse a escritora.

Em “Retrato”, portanto, o rosto de antes da escritora até podia ter ficado para trás. Mas, ao lembrar da infância, Cecília ainda se reconhecia na curiosidade com que olhava o mundo desde pequena.

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